17/11/2017

Resenha: Horizonte das cotovias - Gilvanize Balbino

Horizonte das cotovias

Autor(a): Gilvanize Balbino
Editora: Vida & Consciência
Páginas: 271
Resenha por: Viviane
Avaliação: 5/5
Compre: Americanas / Buscapé / Editora
*Livro cedido pela editora para resenha



Sinopse: Um século antes do nascimento de Jesus Cristo, a ambição e a violência reinam sobre a Terra, principalmente em Roma. Um dos mais temidos generais da época, Titus Octavius Gracus, expande os domínios do Império pela força da espada, oprimindo os povos que se recusam a aceitar sua soberania.

Banhado pelas águas mansas do mar Egeu, o Horizonte das Cotovias é o local escolhido pela divina providência para escrever uma das mais belas e emocionantes lições de amor e espiritualidade, revelando que a violência é fruto da ignorância e do orgulho, ilusões que a vida vai destruir, não importando o tempo que leve para isso acontecer.

Resenha: Esta história se passa em Roma, 60 anos antes de Cristo.

Jeremias era um senhor já de idade, viúvo e pescador com conhecimentos de medicina. Vivia com seus filhos, Cimiotis e Horácio, com as noras, Hannah e Mirian, e o netinho, Demetrius, filho de Cimiotis e Hannah. Todos os dias, no final da tarde, as jovens aguardavam a chegada de seus maridos e do sogro, da pescaria, na beira da praia. Nesta mesma época o Imperador Titus Gracus fazia-se famoso por sua tirania.

Um dia Gracus e seus soldados aportaram no vilarejo onde Jeremias morava com a família, pois, após saber que tinha um homem com conhecimentos de medicina, foi atrás do mesmo.

Quando os homens voltaram da pesca e não encontraram suas esposas aguardando-os, logo viram que havia algo de errado. Ao chegarem ao lar, encontraram o imperador e seus soldados esperando por Jeremias, pois vieram buscá-lo para que ele cuidasse de seus soldados moribundos. Jeremias não teve como negar-se e foi com a família para o local, para tentar salvar a vida dos soldados. Mas todo cuidado foi em vão, a maioria veio a falecer e o imperador tirano, para não perder sua autoridade, matou Jeremias. Como os filhos tentaram interceder, acabou também por matar Horácio e apossar-se de Miriam e Demetrius, para servirem de lição, e aprisionou os pais do menino.

Mais tarde, vendo que teria sido um erro ficar com uma criança tão pequena, visto que queria Miriam para cuidar de seu próprio filho, o pequeno Pompilius, decidiu contar aos pais que o menino morrera e, como ele era muito bondoso, deu a liberdade para ambos, mas na verdade Demetrius fora enviado para um local onde seria treinado desde criança para ser um grande gladiador.

"Ergamo-nos fortalecidos, pois com certeza, Deus não permitiria o sofrimento sem causa justa."

Anos mais tarde, vamos conhecer a jovem e sonhadora Sofia, que vivia com seus pais e um professor. O pequeno Pompilius cresceu e estava para se tornar general, substituindo seu velho pai, Titus, nas batalhas. Mas o velho queria herdeiros e, após conhecer Sofia, considerou-a a nora ideal, porém os pais da moça rejeitaram o pedido e, como Titus não sabe ouvir um "não", resolveu dar seu próprio jeito; com a ajuda de Calcurnia, sua irmã, eles simularam uma luta entre Demetrius e outro gladiador, já fadado à derrota, e induziram o pai da moça, um viciado em jogos, a apostar a filha. Como Demetrius estava comprado, claro que venceu, e o pai da moça precisou entregar a jovem. Isso custou a vida da mãe de Sofia, que tentou interceder, sem sucesso. Então Sofia foi levada a força para a residência dos Gracus e sofreu horrores nas mãos de Calcurnia, por afrontá-la quando espancava os escravos, o que acabou com a moça mesmo sendo açoitada.

Inicialmente, Pompilius foi contra a ideia do pai ter "conseguido" uma noiva para ele, mas assim que viu a jovem, algo floresceu no coração do guerreiro Pompilius, porém ele não queria dar esse gostinho para o pai, já que antes de conhecer a moça ele negou-se a casar por arranjo.

Como Demetrius sabia demais, o imperador mandou matá-lo; mas mesmo depois de apanhar de cinco homens, ter o rosto queimado por óleo quente e ser jogado na beira da estrada para ser comido por animais selvagens, ele viveu, com a ajuda de Tacitus, o professor de Sofia, que encontra o rapaz quase morto e leva-o para sua casa.

Após se casarem, e já órfã de pai e mãe, pois seu pai fora morto no dia de seu casamento, Sofia e Pompilius foram morar longe dos Gracus, mas o imperador não gostou da ideia, pois o filho queria abandonar as guerras para se dedicar a família, então Titus manda matar o filho e toma para si o neto, Octavius, já com cinco anos. Em troca, ele deixa uma menina, recém nascida e escrava, para Sofia não se sentir só.

"Quem sabe seu filho não será um verdadeiro presente dos céus na vida desse homem rude?"

Os anos passam e Octavius retorna ao lar de sua mãe, e é amor à primeira vista quando vê Lia, a jovem que sua mãe criou como filha. Isso é visto como mais uma afronta ao grande imperador, que prefere ver o neto morto a casado com uma serva.

Mesmo com todas estas maldades, Sofia, Miriam e Lia nunca se revoltaram ou perderam a fé em Deus. Elas creram cegamente que a chegada do messias estava próxima; sempre perdoaram seus algozes e resignaram-se diante das piores atrocidades e agressões sofridas. Eu sempre procuro tirar uma lição deste tipo de leitura, e desta vez foi bem proveitosa: devemos crer; tudo acontece em nossa vida pelo melhor, pelo nosso crescimento espiritual. Nem sempre o que mais queremos é o que realmente é o melhor para nós no momento. Resignação foi a grande lição deste livro. Particularmente, eu não sei se conseguiria perdoar todas as vezes que Sofia perdoou, mas admirei muito a mulher que ela foi.

15/11/2017

Textualizando: Lamentar não vai trazê-lo de volta (conto) + 15 de dezembro de 1997 (conto)

Olá, livreiras e livreiros! Hoje viemos trazer para vocês mais dois contos premiados daquele projeto que falamos na semana retrasada para vocês, lembram? Tivemos que trazer dois contos hoje porque estamos atrasadas com as postagens, hehe... O primeiro conto é da aluna Rafaela Rodrigues, que ganhou o 2º lugar na categoria Conto Psicológico; e o segundo conto é da aluna Lavínia Soares, que ganhou o 1º lugar, também na categoria Conto Psicológico. Vamos conferir?!

Lamentar não vai trazê-lo de volta

Eu estava confusa, precisava de uma forma de me salvar. Quando ele apareceu no verão passado. Não pensei duas vezes, agarrei-me àquela esperança de ser salva. Eu estava perdendo minhas cores, e ele me coloriu novamente. Agora se foi. Tudo que faço e aonde vou, lembro-me dele. Tínhamos tantos sonhos, fizemos tantos planos. Este parque me lembra ele, um jogo que inventou para se livrar dos tênis que ganhara em seu aniversário.

- A gente joga o tênis e mede com a fita métrica, quem jogar mais longe vence...

- Para que medir, Dante?

- Para saber quem jogou mais longe, Margot!

- Isso é só um jogo! Medir não é importante.

- Para mim é!

- Okay, vamos logo com isso...

Ele sempre dizia:

- Li em um livro que poemas são como pessoas, alguns você entende de primeira, outros são inescrutáveis.

Penso que me encaixo na parte do "inescrutável". É tudo tão complicado... Mas parece que para ele não era. Chorava na frente das pessoas e não tinha vergonha, demonstrava que amava seus pais a todo momento, sabia ser cuidadoso com as pessoas, sabia ser cuidadoso com as palavras.

Ele me amava, eu sabia disso. E eu o amava, ele sabia disso. Como um menino tão doce, gentil e amável interessou-se por uma menina tão amarga e triste? Éramos como o sol e a lua, o verão e o inverno, a alegria e a tristeza. Se as pessoas fossem chuva, eu seria a garoa, ele, o furacão. Notei que se pensasse mais neste assunto começaria a chorar e não quero que as pessoas pensem que sou fraca e frágil.

Entro no meu carro e ligo o rádio, na esperança de espantar aquelas lembranças. Não adiantou, a música que está tocando é Asleep do The Smiths, a música preferida dele. Lembro-me daqueles olhos que até hoje não sei exatamente a cor, ora verdes, ora azuis. E lembro-me da gente indo para um lugar deserto, onde não havia nenhuma poluição luminosa só admirar as estrelas... Como eu ainda tenho coragem de entrar nesse carro? É tudo culpa minha! Se eu tivesse tomado mais cuidado... Minha mãe sempre diz que me culpar e lamentar não vai trazê-lo de volta. E ela tem razão.

Depois de um longo dia, ele foi para a minha casa, e eu disse que queria sorvete...

- Não tem sorvete aqui.

- Então eu vou comprar.

- Mas está chovendo, a estrada é perigosa!

- Não ligo.

- Me espere, vou também, não quero ficar aqui sozinho.

E, realmente, a estrada estava perigosa. Eu estava em alta velocidade, havia um penhasco, o carro derrapou, caiu. Me machuquei muito, mas melhorei rápido. Ele ficou uma semana no hospital, mas não resistiu. Quando recebi a notícia, meu mundo desabou, era uma dor que não cabia dentro de mim, queria gritar até perder a voz, mas apenas chorei, chorei como uma criança. E o que me matou foi o olhar da mãe dele.

Sinto falta, um pedaço meu foi arrancado sem dó nem piedade. Sinto falta de perder as discussões, de seguir as regras dos jogos que ele inventava (mesmo achando idiota), sinto falta de rir das piadas bobas que ele fazia.

Se eu tivesse tomado mais cuidado... Lamentar não vai trazê-lo de volta.

Rafaela Rodrigues

15 de dezembro de 1997

Ainda me lembro perfeitamente da extrema angústia que sentia em meu peito naquela noite de 15 de dezembro de 1997, em uma banheira com água morna no quarto 230 do Hotel Valenttine. Hoje quase 20 anos depois, minha mente parece um toca fitas e as lembranças de Elizabeth Rose são um k7, com uma música docemente depressiva.

Aqui sentado na lanchonete da Rua Quatro, me lembro como conheci Beth. Terceiro ano do colegial, primeiro dia de aula, era pra ser mais um dia medíocre com a professora de química tentando me fazer entender fórmulas que nunca mais usaria na minha amarga vida. Quando então, a porta abriu e o mundo parou. Um presente de Deus vindo do Alasca, eu nem sabia que existiam seres humanos lá, quanto mais uma escultura humana, de cabelos ondulados, pele de pétalas de copo de leite, olhos negros como preciosas pérolas negras e um sorriso tão radiante que derreteria toda a Antártida, como o de Elizabeth Rose.

No intervalo, me sentei no mesmo lugar de sempre, lendo um livro para a aula de literatura, mais umas das odiáveis historinhas de amor platônico, estava quase vomitando em cima das páginas, mas em meu coração pressentia que logo iria vivenciar aquela história. Ela estava lá, sentada do outro lado do refeitório, perdida, sem ter com quem desabafar sobre a tristeza que foi ter que abandonar seus amigos, colégio e lugares preferidos da antiga cidade. Tomei coragem, respirei fundo e fui falar com ela.

- Oi! Elizabeth, não é?

- Isso! Olá...Desculpe, são muitos nomes novos para decorar...

- Júlio.

E conversamos. Aquele dia, no outro e no outro, quando percebemos não ficávamos um dia sem nos falar. Meu pressentimento estava errado, ela também se apaixonou. Demos nosso primeiro beijo. Éramos namorados.

Chegou o dia da nossa formatura e como ótimos odiadores de festas que éramos nem pisamos os pés naquele ginásio cheio de balões, confetes e polaroids de pais orgulhosos. Fomos para Londres, ela e eu. Andamos de mãos dadas nas ruas frias e mesmo em uma temperatura de menos cinco graus, suávamos com o calor da nossa paixão, eu podia ver o brilho no olhar dela olhando para o céu, para as pessoas, para o Big Bem. Eu pertencia somente à Elizabeth Rose, mas ela não pertencia a mim e sim ao mundo.

Fomos para o hotel. E foi um ataque, tão rápido... Quando percebi o amor da minha vida estava caída no chão, sem vida, seus lindos olhos negros já não brilhavam... 15 de Dezembro de 1997, em uma chão frio, no quarto 230 do Hotel Valenttine, estava a mais bela mulher, morta, e eu em uma banheira com água morna, com lágrimas nos olhos e uma dor enorme no peito.

Hoje estou aqui na mesa da lanchonete da Rua Quatro, com a vigésima primeira Elizabeth à minha frente. No rádio está tocando "Don't Speak" da banda No Doubt, era a música preferida da minha amada Beth. Quando a música acabar, vou deixar o dinheiro em cima da mesa e sair sem me despedir de mais uma tentativa fracassada de achar outra como minha amada. Vou para o refeitório daquele colégio, me sentar no lugar onde conversamos pela primeira vez, até me expulsarem de lá pela vigésima primeira vez, ou até eu dar um ataque, como aquele que dei no dia 15 de Dezembro de 1997, quando matei Elizabeth Rose, com a idéia de que se ela não me pertencia, também não pertenceria ao mundo.

Lavínia Soares

13/11/2017

Resenha: Metrópole - RM. Sant' Ana

Metrópole

Autor(a): RM. Sant' Ana
Editora: Autografia
Páginas: 161
Resenha por: Larissa
Avaliação: 4/5
Compre: Americanas / Buscapé / Editora
*Livro cedido pela editora para resenha



Sinopse: "METRÓPOLE - Contos que a Vida Conta" é um livro de contos que segue a linha editorial da 'Literatura Marginal', com textos ácidos, sarcásticos, melancólicos, mas de fácil leitura pois tem uma narrativa que propositalmente, beira o popularesco. As estórias trazem personagens que são facilmente encontradas em qualquer um dos milhões de guetos periféricos espalhados pelo mundo a fora, cujo os conflitos fictícios e dura e cruel realidade, infelizmente, não são mera coincidência...

Resenha: "Metrópole" é um livro de contos que nos apresenta estórias/histórias passadas em São Paulo.

O livro inicia com um conto chamado "São Paulo, metrópole da desigualdade", onde temos quase uma aula de história sobre São Paulo e algumas reflexões.

Os contos "Coração de papelão" e "Na esquina de um beco" narram cotidianos que são tristes, mas que infelizmente estão presentes aos montes por aí. No primeiro, é narrado o dia a dia de uma senhora catadora de lixo, que desdobra-se para conseguir o que comer. Já no segundo, conhecemos um dia comum de um marginal. "Rotina" também fala de uma rotina, como já diz o título, mas dessa vez uma rotina mais mórbida e comum a quase todos: casa, trabalho, casa.

"O escuro véu da madrugada já se extinguiu, mas o astro-rei ainda não brilha com toda sua onipotência. Nuvens cinzentas e carregadas anunciam que o dia será novamente chuvoso. Isso não é problema para Vovó Tereza, pois ela já se acostumou a percorrer seus muitos quilômetros diários sob tempestades torrenciais ou estiagem escaldante. Desde muito cedo ela aprendeu que o trabalho árduo e o sofrimento fariam parte constante de seu cotidiano. Ainda criança foi obrigada a abdicar de qualquer sonho ou fantasia, comuns às garotinhas daquela idade, para enfrentar o martirizante dia a dia de trabalho daqueles que não têm direito à infância."

"Feliz aniversário" é um conto que achei bem interessante... Nele vamos conhecer, intercaladamente, as estórias de dois homens, um pobre e outro rico, e a única coisa em comum entre os dois é que no dia em que a estória nos é narrada, ambos irão comemorar o primeiro aniversário dos filhos. É interessante porque dá uma lição muito bonita.

Como já se pode imaginar pelo título, o conto "Dama da noite" conta a estória de uma prostituta. Cidinha tinha apenas treze anos quando entregou-se à prostituição, por conta da vida dura de seus pais.

"O bom exemplo" nos traz a estória típica de um jovem cheio de vida, inteligente, elegante, tudo de bom, que entregou-se às drogas.

O conto "Menor carente" é outro tipo de estória que é triste, mas bem comum por aí, de uma criança que mora nas ruas e acaba se entregando para as drogas, para "viajar" e, com isso, ter alguns momentos de uma vida boa e sensata.

Um outro conto bem triste que temos é "O bom filho a casa torna". Aqui vamos conhecer Danilo, um jovem morador do interior, que resolve ir para a capital para tentar o vestibular de agronomia. Depois de anos longe dos pais, amigos e noiva, ele retorna com seu diploma em mãos, mas nem tudo são flores...

Em "Cartão vermelho" temos Carlinhos como protagonista. Sua família sempre foi pobre e Carlinhos criou-se vendo seus pais e irmãos batalhando para colocarem dinheiro para dentro de casa. Tudo está prestes a mudar quando Carlinhos, bom jogador de futebol desde pequeno, é encontrado por um olheiro, que o chama para participar de times profissionais. O conto aborda, além de sonhos e pobreza, o tão triste preconceito.

No início de cada conto tem uma ilustração bem legal, que já nos dá uma ideia do que está por vir, às vezes até já entregando um pouco da trama...

Bom, eu falei de alguns contos apenas, não daria para falar de todos, pois são vários. No geral, gostei muito do livro. Todos os contos são críticos e abordam temas importantes e comuns. A maioria deles se passam em guetos periféricos. Indico muito o livro para quem gosta de contos e para quem não gosta tanto também. Mas já aviso: se você está afim de ler uma estória fofa, esse livro definitivamente não é o que você procura, pois aqui temos muitas mortes e os contos são bem tristes, na maioria das vezes.

"As árduas marcas visíveis em sua face deixam transparecer que ele foi alguém que lutou muito, porém a pesada expressão de tristeza mostra que, infelizmente, nem sempre lutador é sinônimo de vencedor."

10/11/2017

Resenha: Filósofo suicida - Leonardo de Andrade

Filósofo suicida

Autor(a): Leonardo de Andrade
Editora: Em Foco
Páginas: 207
Resenha por: Larissa
Nota: 5/5
*Livro cedido pelo autor para resenha




Sinopse: Quando conheci Lars Justino, o sujeito tinha pontinhas brancas nos cabelos e uns fiapos quase invisíveis delatando a loucura em sua pobre alma nada sonhadora. De fato, era uma figura bem típica dos covis de malucos e covardes e mais malucos. Porém, não era um covarde, nem maluco (tudo bem, um pouquinho), pouco corajoso, mas bravo igual leão.

Não contei a parte mais estranha: era imortal.

Lars tinha vivido muitos séculos, andado por muitas terras, conhecido gente mais estranha, e falava todas as línguas, menos inglês. Entre todas as épocas, sua favorita era a Guerra Fria e o inicio dos anos oitenta. Conheci esse sujeito há longos 17 anos, quando eu mesmo não tinha bigodes brancos e não estava cego de um olho. Disse-me estar vivo há exatos 2000 anos, cinco meses, quatro dias, três horas, dois minutos e um segundo.

Não acreditei. Você acreditaria?

O conheci por puro acaso. Tudo porque um dia, sem mais nem menos, Lars Justino ficou cansado de ser imortal e embarcou em busca da morte. Se está procurando uma narrativa concisa, inteligente, consistente e toda bonitinha, advirto-o: pegue outro livro. Este aqui é recomendado para os mais problemáticos.

Resenha: Começamos o livro sendo apresentados a Lars Justino, um homem com mais de 2015 anos, um imortal. Tendo vivido já vários fatos históricos, tido várias profissões, conhecido diversas pessoas, Lars acabou por cansar-se da imortalidade. Quem não gostaria de ser imortal? Pois é, o sujeito estava cansado desta vida eterna, por mais incrível que pareça. Com isso, Lars acaba indo em busca da morte...

"E assim, sem mais nem menos, Lars Justino embarcou em busca da morte."

No caminho, em sua passada pela cidade de Abismal, Lars conhece Anna Anedota, uma moça super engraçada, que vive sempre com um gato pendurado nos ombros, que passa a acompanhá-lo nesta longa jornada.

Anna Anedota leva Lars até seu tio, que não via há muito tempo, pois sabe que ele pode ajudar o viajante.

Chegando ao tio Genghis, o homem conta que conhece uma arma que pode matar qualquer ser imortal, então é claro que nosso protagonista já fica interessado nesta tal arma. Além disso, o tio conta a estória de como conheceu o Diabo e, aliás, fez um pacto com ele, o que eu achei bem legal.

Depois de algumas estórias contadas, Lars acaba descobrindo com o tio de Anna onde está a tal arma que pode matar qualquer ser, e então resolve ir atrás dela, já que é a única chance de acabar com sua vida. Junto com o imortal, embarcam nesta aventura Anna e Cegonha, o dono e motorista do balão que eles irão usar para irem até Parafernália, lugar onde está a arma das armas, capaz de matar até o Diabo.

Contudo, caros leitores, não pensem que será a primeira vez que Lars Justino tentará matar-se, pois ele já tentou outras vezes, inclusive já atirou-se de um avião - ele quebrou-se, mas não morreu. A primeira vez que o imortal tentou suicídio foi tentando afogar-se, porém, como sabemos, não morreu.

"Deixava aquela vida passar-lhe sem fazer nada e sem ser nada porque já tinha sido de tudo. E não aguentava mais os momentos infames."

Quando os viajantes chegam em Parafernália e conseguem, por fim, encontrar a casa do amigo do tio de Anna, que é onde está a arma, descobrem que o homem está morto, e a arma fora roubada. Nossos personagens não desistem, principalmente Lars, pois precisa da arma para acabar com tudo, então partem para Brasílica, com a esperança de encontrar o objeto roubado. Depois de muitas aventuras, por fim, chegam a Brasílica... Mas, será que os viajantes irão encontrar a arma facilmente?

O final é daqueles que deixam para a imaginação, ou seja, fica meio "aberto". Eu odeio finais abertos, porém, neste caso, acho que esse tipo de final caiu muito bem, pois gostei desta margem para nós, leitores, podermos imaginar algumas respostas.

Eu gostei bastante da estória, que me tirou da minha zona de conforto, sem dúvidas. Os personagens são diferentes, a narrativa é diferente, enfim... se você quer fugir de livros convencionais, este livro é o perfeito para você. Como o autor já avisa na parte de trás do livro, é uma estória diferente, nada de  uma narrativa bonitinha e consistente, então não espere encontrar nada convencional na obra, pois aqui tudo foge do que estamos acostumados!

"Já tinha vivido milhares de vezes e começava a ficar enjoado daquele lenga-lenga. No fundo, não conseguia admitir para si mesmo: queria repetir aquela sensação mais uma vez. Queria sentir, outra vez, como era ver o nascer do sol pela primeira vez. Assim como queria ficar bêbado pela primeira vez mais uma vez. Nada se comparava à primeira vez."

Aviso: o autor irá lançar o livro na Feira do livro de Pelotas amanhã, dia 11/11, às 19hrs, então quem tiver a oportunidade não deixe de comparecer ao lançamento deste livro incrível.

08/11/2017

Livreando por aí: Feira do livro de Porto Alegre 2017 + Saraiva (Porto Alegre - RS)

Olá, livreiras e livreiros! É com muita alegria que trazemos este "Livreando por aí" de hoje, com dois lugares maravilhosos que tivemos o prazer de conhecer no final de semana passado. Primeiro, a Feira do livro de Porto Alegre, que foi nossa "bienal" deste ano; segundo, a Saraiva de Porto Alegre, que foi a primeira Saraiva que conhecemos pessoalmente. É claro que não poderíamos deixar de compartilhar estes momentos incríveis com vocês... Então vamos conferir?!

Feira do livro de Porto Alegre 2017
Chegando na feira
Mapa da feira
Estande da editora Belas Letras
Área infantil e juvenil
Alguns estandes
Tenda de pasárgada
Área de autógrafos
Mais alguns estandes

Saraiva
Os três livreiros na frente da Saraiva
Por dentro da loja
Itens de papelaria
Livros infantis
Cantinho de Harry Potter
Muro das lamentações, onde nós lamentamos por sermos pobres
Não sei o que dizer sobre esta estante dividida por cores, apenas sentir
Mais um pouquinho da loja por dentro
É isso, livreiras e livreiros! Esperamos que tenham gostado de acompanhar um pouquinho deste dia que foi maravilhoso para nós, mesmo com chuva, que não atrapalhou nosso passeio (tudo bem que ficamos igual a cachorros molhados, mas ela não interferiu na nossa alegria, que é o que importa). A Feira do livro de Porto Alegre 2017 estará acontecendo até o dia 19/11, então, se vocês puderem, não deixem de dar uma passadinha lá, pois está linda e cheia de promoções (acesse o site para mais informações). Beijos e até a próxima postagem!