22/01/2018

[Resenha] Os contos de New Locked City | P. P. Rodd

Os contos de New Locked City

Autor(a): P. P. Rodd
Editora: Autografia
Páginas: 192
Resenha por: Larissa
Avaliação: 4/5
Compre: Americanas / Buscapé / Editora

*Livro cedido pela editora para resenha


Sinopse: Em Contos de New Locked City, a morte por suicídio de um amigo em comum de pessoas distintas marca o início da trama.

Presentes no último adeus estão seus amigos - a elite da cidade. Mas um solitário detetive começa a suspeitar de algo errado: seu amigo não tinha motivos para se matar, pois ascendia em sua carreira, e todos ao redor pareciam satisfeitos com sua morte.

O detetive parte, então, em busca de respostas, insatisfeito com o laudo do óbito. Assim ele começa a descobrir pistas que o levarão até o assassino.

Longe dali, uma legista desconfia dos segredos sobre o finado, que a obrigam a entrar nessa jornada, até que seu caminho se cruza com o do detetive. Os dois, juntos, passam a investigar essa morte cheia de incógnitas.

Resenha: Apesar do nome, o livro não é uma compilação de contos, mas sim uma estória inteira com começo, meio e fim.

Em um fim de tarde frio em New Locked City, K vai até o enterro de Gabriel, um amigo seu que supostamente havia se matado. Lá ele encontra Patrícia Fontenelle, uma cientista; Cássio Timb, ator; Carolina Lover, escritora; André Carrasqueira, empresário; Suzanni, formada em engenharia; e, por fim, Iago Santonne, que atirou uma rosa azul sobre o túmulo (guardem esta informação). Todas estas pessoas, algumas indiferentes, outras chorando tanto que parecia até exagerado, somadas ao fato de que Gabriel não tinha motivos para suicidar-se, deixam K instigado, e então ele começa a investigar por conta própria o caso de Gabriel, querendo a todo custo descobrir quem foi o assassino de seu amigo.

"Eu não sei ainda o que há, mas é tempo de começar a agir, e já. Apenas o fim justifica o meio, e essa história ainda não acabou. O caso só se encerra no momento em que eu decidir que acabou."

O primeiro passo de K é invadir a casa de Gabriel, mais especificamente o quarto do rapaz, que estava trancado... Bem, e o que ele encontra por lá? Entre várias coisas, está uma caixa com um livro escrito por Carolina Lover, uma rosa azul, um celular com uma ligação de André Carrasqueira e uma carta que tem como remetente Madame H. Isso é um tanto intrigante e só levanta ainda mais as suspeitas do nosso investigador.

Maria, uma legista, está diante do corpo já morto de Gabriel, e tudo que ela precisa fazer é assinar um relatório de autópsia para seu chefe, porém ela acaba enxergando uma marca abaixo do queixo do rapaz e, um tanto intrigada, começa a achar que talvez não tenha sido suicídio, então passa a investigar o caso do garoto. Tudo isso, é claro, sem seu chefe saber, até porque, quando ela falou para ele de tal marca, o homem foi curto e grosso ao dizer que só precisava da assinatura dela e que o caso já estava encerrado.

Ao decidirem investigar por conta própria quem fora o assassino de Gabriel, Maria e K acabam encontrando-se no apartamento do garoto e juntando-se nessa missão, que parece ser quase impossível de ser desvendada. Então, entrevistando pessoas que tenham alguma ligação com Gabriel Murad, K e Maria seguem seus dias, e cada vez que pensamos estar mais próximos do assassino, na verdade estamos mais longe ainda...

Cada capítulo é narrado por um personagem ligado à Gabriel, assim ficamos conhecendo um pouco de cada um e suspeitando de todo mundo um pouco. Fica a dica: todos escondem algo.

"O que eu aprendi é que ninguém é verdadeiro o suficiente, e por mais que tentemos nos esconder atrás de uma máscara que queremos que o mundo acredite que somos, uma hora tudo vem à tona."

Não costumo ler livros do gênero; este foi um dos poucos que li até hoje, mas gostei bastante e fiquei bem empolgada para ler mais obras nesse estilo. Só não avaliei com cinco estrelas porque acho que ficaram algumas pontas soltas; nada muito relevante para a estória, mas ainda assim, coisas que eu gostaria de saber. Sobre o assassino, é claro que não acertei quem era... Enfim, livro mais do que recomendado!

19/01/2018

[Resenha] Primeira página | JM Costa

Primeira página

Autor(a): JM Costa
Editora: Independente
Páginas: 168
Resenha por: Viviane
Avaliação: 5/5
Compre: Autor

*Livro cedido pelo autor para resenha


Sinopse: Até que ponto um jornalista pode publicar tudo o que descobre? Qual a distância entre a verdade apurada nas ruas e a verdade que acaba noticiada para a população? Será possível para uma repórter novata superar barreiras morais e políticas para cobrar justiça? Isso é o que o leitor descobrirá nos três dias que Clara Gabo levará para concluir sua reportagem. Além de pressões externas e dentro da própria redação, ela ainda terá que se preocupar com a segurança de sua principal testemunha: uma garotinha que ela só conhece pela voz.

Resenha: O livro "Primeira página" conta, de forma visceral e intensa, três dias na vida da jornalista Clara Gabo, colunista de um famoso jornal, impresso e virtual, no Rio de Janeiro.

Tudo começa com o telefonema de uma garotinha, Jéssica, pedindo ajuda, pois haviam atirado em sua mãe e ela estava com muito medo. Mesmo estando no final do expediente e tendo um compromisso em família, Clara não hesitou, pegou o endereço, um fotógrafo e foi atrás da notícia.

"É bom que o receio exista dentro de você. Evita a armadilha do excesso de confiança. Mas jamais permiti que o medo me intimidasse. Naquele momento, nada me parecia mais certo do que apurar a fundo aquela história.

Chegando lá, já não havia mais corpo e a garota sumira. Mas, na casa da criança, Clara encontrou o celular em que a menina fez um vídeo da cena em que mostrava policiais militares que, após balear a mulher pelas costas, ainda agrediram-na fisicamente.

Com uma "bomba" nas mãos, Clara prepara a matéria para o dia seguinte, mas ela não esperava envolver-se tanto. Em suas pesquisas descobriu que Leninha, a mulher ferida, tinha uma filha, a Jéssica, com o chefe do tráfico, na favela conhecida como morro da baiana. Com o vazamento das imagens que incriminavam policiais, Clara foi chamada pelo próprio traficante para uma conversinha na favela. Clara foi, receosa, e lá ficou sabendo que os mesmos policias que atiraram em Leninha raptaram Jéssica e que estavam pedindo um resgate, já tinham até mandado um dedo da menina para mostrar que não estavam de brincadeira.

"Como uma instituição criada para manter a ordem e proteger o cidadão acaba agindo pior do que os criminosos a quem deveria combater? Não era a primeira, nem a última vez que me questionava a respeito, mas atirar em uma inocente e mutilar a filha de um bandido para extorquir-lhe dinheiro ia muito além da minha compreensão."

A acusação de Linho, o chefe do tráfico, era muito grave, e os superiores de Clara não queriam se comprometer tanto assim, e também havia a desconfiança de que Linho armara para denegrir a imagem da polícia. De "mãos atadas", Clara não teve outra alternativa a não ser dar "seu jeitinho", porque não era só a reportagem da sua vida, era também a vida de uma inocente que estava em jogo.

O livro, além de ter muita ação e intensidade, é uma forte crítica social à corrupção, que, infelizmente, é tão presente no nosso dia a dia. Aqui mostra policiais e bandidos jogando com a vida dos cidadãos, mas ela está em todo lugar, principalmente na política. JM Costa é jornalista por profissão e um apaixonado por contar histórias e estórias. Publicou este livro de forma independente e eu me sinto honrada por ter sido convidada a lê-lo.

17/01/2018

[Papo de livreiras] Antologias

Olá, livreiras e livreiros! Hoje é a Viviane quem veio dar as caras por aqui... Eu acredito que todo leitor sonha em ser escritor ou pelo menos ter a oportunidade de ver um conto seu ser publicado. Isso já é possível com os lançamentos de antologias organizadas por algumas editoras, e é sobre isso que iremos falar hoje.

No final de 2016, eu "passeava" pelo Facebook quando vi a divulgação de uma antologia que seria lançada pela editora Illuminare e organizada pela escritora Rô Mierling. O gênero era policial e, o tema, "mulheres fatais". De repente começou a surgir na minha cabeça uma estória e as palavras foram saindo; comecei a digitar no computador, mas precisava trabalhar, então dei continuidade ao texto no celular e, em poucas horas, eu tinha um conto escrito. Nem acreditei, pois nunca pensei sério em escrever, publicar, enfim. Mas com o apoio incondicional da minha filha e parceira de blog, Larissa, que fez a correção para mim, eu enviei o conto. A partir daí foi só aguardar... Dentro do prazo recebi o e-mail comunicando que meu conto fora selecionado e, em poucos meses, eu estava com o livro em mãos. Foi uma das maiores alegrias da minha vida, depois do nascimento de meus filhos.

Nunca almejei ser escritora e deixei isso claro na minha "bio" no livro "Mulheres fatais", porém, no último trimestre do ano passado, vi que a escritora (que admiro muito) parceira do nosso blog, Judie Castilho, foi convidada para participar de uma antologia que tem como tema a depressão, então se repetiu o que aconteceu na primeira vez: as palavras foram surgindo, eu fui digitando no celular, atropelando as palavras - pois a cabeça é bem mais rápida que as mãos -, as lágrimas rolavam enquanto eu escrevia, pois considero o tema bem forte, e mais rápido ainda que da primeira vez eu tinha outro conto escrito. Hesitei bastante em enviar. Mais uma vez, a Larissa fez a correção para mim e incentivou-me a enviar. Achei impossível ter tanta sorte quanto da primeira vez, mas eis que meu conto foi selecionado, aí foi só comemorar. A antologia será publicada pela editora Sinna por volta de maio deste ano e foi organizada pela blogueira e escritora Gê Benjamim.

Para quem tem curiosidade de saber os valores, eu paguei entre R$ 150,00 e R$ 250,00 cada uma, respectivamente, mas sei que têm algumas bem mais caras, depende muito da editora e dos escritores famosos convidados.

Se você tem o sonho de escrever e publicar um livro, começar por contos em antologias é uma ótima pedida, pois muitos escritores, hoje famosos, começaram assim, e meu maior conselho é: nunca desista de um sonho, porque eu jamais imaginaria ter meu nome, como autora, em um livro, então imaginem só em dois. Mas volto a dizer: não tenho ambições de ser escritora. Foram maravilhosas estas duas participações em antologias, mas um outro conto só surgirá se o tema inspirar-me.

E vocês, tem algum material guardado, esperando o momento certo de ser publicado? Beijos e até a próxima postagem!

15/01/2018

[Resenha] Almas de aço | Ana Cristina Vargas

Almas de aço

Autor(a): Ana Cristina Vargas
Editora: Vida & Consciência (selo Redentor)
Páginas: 288
Resenha por: Larissa
Avaliação: 3/5
Compre: Americanas / Buscapé / Editora

*Livro cedido pela editora para resenha


Sinopse: Uma família, gerações de mulheres ligadas por uma herança física e emocional.

Nossa linhagem determina as bases de nossa personalidade como se fôssemos o somatório de nossos antepassados, porém, é nosso espírito que consegue harmonizar nosso mundo interior. Estamos todos numa busca de nós mesmos.

Resenha: Em "Almas de aço" temos como protagonista uma senhora de oitenta e oito anos, que viveu todas estas décadas com muita sabedoria e aproveitando cada minuto. Incrivelmente ela está cheia de saúde e encanta a todos por onde passa.

Uma coisa bem curiosa à respeito de dona Luciana, nossa protagonista, é que suas filhas e netas são todas mulheres, cada uma com seus problemas e desavenças.

Magda é filha de Luciana e deu à luz Juliana, uma moça que atualmente é casada com Roberto, porém o relacionamento dos dois não é lá essas coisas. Sem falar que a moça tem problemas com a outra neta de dona Luciana, Cristina, com quem sempre teve brigas, desde quando eram crianças.

"Não existe o que me disse: fazer tudo pela felicidade do outro. É uma frase bonita, soa forte, mas é uma ilusão. Esconde outras verdades, não tão bonitas, mas humanas e por isso compreensíveis."

Cristina fora criada por dona Luciana desde nova, pois os pais tinham um casamento conturbado, então ela acabou, aos poucos, indo morar com a avó, que sempre deu à ela todo o amor do mundo. Aliás, ela é sua neta preferida.

Renata, outra neta da nossa protagonista, casou-se com Pedro. O rapaz não podia ter filhos, então sentia-se culpado e frustrado. Porém, um dia, um acontecimento muito bonito fez com que Pedro parasse de pensar apenas em ter um filho feito por ele e começasse a pensar em adoção. Foi aí que o casal adotou duas meninas lindas e cheias de luz.

Dona Luciana tem outras netas e filhas, porém não são muito citadas na história; falei só das que apareceram mais durante o livro...

Não é uma história cheia de surpresas e com um final "uau", porém é um ótimo livro para lermos e refletirmos sobre a vida, pois dona Luciana, além de saudável e encantadora, também tem muitos ensinamentos para nos passar, afinal, em seus quase noventa anos ela deve ter aprendido muitas coisas, não é?! É uma leitura bem mais leve e diferente do que costumo ler, mas não deixa de ser válida.

"Viver muito pode ser uma grande vantagem quando os anos da vida física correspondem ao amadurecimento e aprendizado espiritual."

12/01/2018

[Resenha] Chronus | Joana Santos Silva

Chronus

Autor(a): Joana Santos Silva
Editora: Chiado
Páginas: 122
Resenha por: Larissa
Avaliação: 4/5
Compre: Cultura / Editora

*Livro cedido pela autora para resenha


Sinopse: Tempo: ladrão ávido de momentos, que nos torna obsoletos e nos embala até ao derradeiro sono numa contagem decrescente onde só a ele cabe a palavra final, condenando-nos ao esquecimento do que passou e à sofreguidão do que estará para vir.

Em "Chronus" trata-se o tempo por tu e, a cada virar de página, encontramos histórias de solidão, paixão, saudades, verdades e catarses, numa simbiose perfeita onde não se pretende fazer uma rutura com o tempo mas antes imortalizá-lo através da poesia, erguendo memórias e redescobrindo eternidades, convidando o leitor à reflexão e a uma viagem ao passado para encontrar uma promessa de futuro numa cumplicidade que só o que nos une permite.

Resenha: "Chronus" é o segundo livro de poemas da autora Joana, e cada vez fico mais encantada com o poder desta mulher para com a escrita.

"Sou Poeta do que sou / Do que fui, do que cresci sendo / De uma humanidade que se vai perdendo / Do que vejo em sonhos que o tempo levou."

Neste livro iremos encontrar poemas dos mais diversos temas, como amor, saudade, tempo, entre vários outros.

Um poema que gostei bastante foi "Fracos humanos", onde a autora fala, em forma de poema, sobre a tristeza dos campos de concentrações. É triste, duro, mas foi real, infelizmente.

"Clandestinos pedem salvação / Irmãos assistem à desgraça / Fruto de desilusão / De não ser da mesma raça"

Outro poema que me chamou bastante a atenção foi "Velhos", onde Joana fala sobre a velhice e a tristeza que é ser abandonado ao envelhecer. Também é outro tema triste, mas que infelizmente acontece aos montes por aí.

"Carregam mágoas passadas / De um fardo do seu corpo / Que para alguns já está morto / Mas custam ser carregadas."

A autora cita bastante em seus poemas deuses gregos, como Nix, Hefesto, Hades, Perséfone, Chronus, Éolo. Alguns eu já tinha ouvido falar, outros, porém, conheci através desta obra e fui pesquisar.

Enfim, é um livro muito bacana tanto para quem gosta de poemas quanto para quem ainda não está muito adaptado ao gênero ou quer começar a ler. Indico demais!