21/10/2019

[Resenha] Livra-me, poesia | Bruno Ramalho

Livra-me, poesia

Autor(a): Bruno Ramalho
Editora: Scortecci
Páginas: 60
Resenha por: Larissa
Avaliação: 3/5
Compre: Editora

*Livro cedido pela editora para resenha


Sinopse: livra-me, poesia. sim, com letras minúsculas, pois, na concepção da obra, a poesia deve ser pequena em sua grandiosidade, delicada em sua pungência, minimamente especial em sua máxima expressão. nela, bruno ramalho brinca com as palavras ao remeter o leitor à poesia que o liberta e, ao mesmo tempo, o aprisiona a um livro.

Resenha: Esse é um livro de poesias, todas escritas inteiramente com letras minúsculas, pois "a poesia deve ser pequena em sua grandiosidade, delicada em sua pungência, minimamente especial em sua máxima expressão", como diz na contracapa da obra.

Os poemas falam sobre os mais variados temas, como o amor, a escrita, a poesia em si, a morte, a memória, entre outros.

No poema "feito adélia prado", como já diz no título, o autor faz uma referência à escritora Adélia Prado, o que eu achei muito bacana.

Em "por que ter medo da morte?" o autor ratifica Gilberto Gil, parafraseando sobre a morte, explicando que não devemos ter medo dela, pois ela chegará para todos um dia.

"pense que a vida é uma peça
e a morte, o ato final.
a emenda do seu soneto,
melhor que o soneto em si.
mas não viva ignorando a morte, viu?
pois ela o guarda para si."

Os poemas "atraso" e "pressa" relacionam-se um ao outro, são meio que opostos. Eu achei isso muito bacana e diferente.

Como uma amante da língua portuguesa, fiquei encantada com o poema "reticência", no qual o autor escreveu seu poema fazendo uso de termos da gramática da língua, como "sujeito", "aposto", "vírgula", "reticência", entre outros.

Outra poesia que achei muito interessante foi "receita de poesia" que, como já diz no título, dá uma receita de como fazer uma poesia, mas de forma muito criativa e bacana.

"misture muitos amores,
do presente e do passado.
amasse bem todas as dores
e o que houver de engasgado."

Meus poemas favoritos do livro foram "por que ter medo da morte?, "receita de poesia", "ontem" e "que importa o quando?".

Foi uma leitura bem diferente, pois, apesar de eu estar acostumada a ler livros de poemas, cada autor tem seu estilo, e isso torna cada livro de poemas único.

"em conversa com a solidão,
por acidente de um fim de tarde,
descobri que meu corpo arde
de poesia sem explicação."

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