16/10/2020

[Resenha] Carrie, a estranha | Stephen King

Carrie, a estranha

Autor(a): Stephen King
Editora: Suma de Letras
Páginas: 296
Resenha por: Larissa
Avaliação: 5/5
Compre: Amazon / Submarino



Sinopse: Carrie é uma adolescente tímida e solitária. Aos 16 anos, é completamente dominada pela mãe, uma fanática religiosa que reprime todas as vontades e descobertas normais aos jovens de sua idade. Para Carrie, tudo é pecado. Viver é enfrentar todo dia o terrível peso da culpa. Para os colegas de escola, e até para os professores, Carrie é uma garota estranha, incapaz de conviver com os outros. Cada vez mais isolada, ela sofre com o sarcasmo e o deboche dos colegas. No entanto, há um segredo por trás de sua aparência frágil: Carrie tem poderes sobrenaturais, é capaz de mover objetos com a mente. No dia de sua formatura, Carrie é surpreendida pelo convite de Tommy para a festa - algo que lhe dá a chance de se enxergar de outra forma pela primeira vez. O ato de crueldade que acontece naquele salão, porém, dá início a uma reviravolta cheia de terror e destruição. Chegou a hora do acerto de contas. Carrie, a estranha é um dos maiores clássicos de terror da literatura contemporânea e um dos livros mais aclamados de Stephen King.

Resenha: Eis aqui o primeiro livro escrito pelo aclamado mestre do terror, Stephen King, que teve suas primeiras páginas jogadas fora, mas salvas por sua esposa, que o incentivou a terminar a obra.

Carrie White é uma garota que tem dezesseis anos e mora com sua mãe, Margaret White, uma religiosa fanática, em uma cidadezinha chamada Chamberlain. Seu pai, Ralph White, morreu antes de ela nascer.

Nossa protagonista é do tipo que não se encaixa em nenhum grupo; desde o primário ela era deixada de lado e, mais que isso, zoada pelos colegas, tudo isso por ter uma mãe fervorosamente religiosa e ser, como consequência disso, um tanto estranha aos olhos dos colegas "normais". Cresceu, então, uma garota reprimida e tímida, sem amigos e muito menos namorado.

A garota estava já com seus dezesseis anos de idade quando ficou menstruada pela primeira vez, e, para piorar a situação, ela começou a sangrar na escola, enquanto tomava banho com suas colegas, as mesmas que a desprezavam e zoavam, após a aula de educação física. A menina, que nunca havia sido instruída pela mãe sobre menstruação - ou qualquer outra coisa da vida, pois tudo era pecaminoso -, acreditou estar tendo uma hemorragia.

Como era de se esperar, o acontecimento do banheiro da escola - ou o "incidente do chuveiro", como ficou conhecido - foi um agravante que aumentou ainda mais os deboches a respeito de Carrie; as meninas formaram um grupo na frente da garota e começaram a rir, gritar coisas ofensivas, ao mesmo tempo em que jogavam absorventes nela, que mal sabia o que estava acontecendo com o próprio corpo. Tudo isso despertou uma fúria adormecida por muito tempo em Carrie, desde a "chuva de pedra".

"Bem, talvez mamãe fosse uma fanática, estranha, mas pelo menos era previsível. A casa era previsível. Ela nunca chegara em casa e encontrara meninas atirando coisas aos gritos e às gargalhadas."

A partir de então Carrie começa a treinar e aprimorar cada vez mais seu poder recém descoberto - a telecinesia, que é a capacidade de mover ou exercer força sobre objetos com a mente.

"A escrivaninha ergueu-se no ar, tremeu um instante, depois subiu quase até o teto. Ela a desceu. Abaixou. Levantou. Agora a cama, com todo o peso. Para cima. Para baixo. Para cima. Para baixo. Como um elevador."

Ao longo da estória de Carrie temos trechos de um livro (ficcional) de estudo científico que trata sobre a telecinesia, e através dele podemos descobrir e aprender mais sobre o tema, o que achei bem legal. Outros textos também são intercalados com a estória principal, como artigos de jornais, trechos do livro de uma personagem, relatórios, entrevistas, etc, algo que gostei bastante, porém alguns desses trechos entregam algumas coisas que ainda não haviam sido narradas na estória - para mim não fez muita diferença, pois como eu já havia assistido ao filme, já tinha uma noção do que iria acontecer, mas pode incomodar quem não sabe nada sobre a estória.

É um livro que trata de um poder sobrenatural, sim, mas isso é apenas um pano de fundo para a estória de uma menina que tem uma vida tristíssima. Chega a ser palpável de tão cruel o sofrimento da Carrie, por todas as coisas pelas quais ela passa, tanto na escola quando em sua casa e em sua própria mente. É impossível, acredito eu, terminar o livro com um sentimento de raiva de Carrie, mesmo depois de tudo o que acontece.

Enfim, foi uma leitura bem tensa e macabra em algumas partes, mas também triste e sentimental; para quem não lê Stephen King por medo de encontrar fantasmas e monstros, pode ler esse tranquilamente, pois não dá medo, apenas deixa o leitor apavorado com certas cenas.


14/10/2020

[Lidos do mês] Setembro | 2020

Olá, livreiras e livreiros! Hoje viemos mostrar (meio atrasadas) as nossas leituras do mês de setembro. Estivemos bem envolvidas com outras coisas nesse mês, por isso as leituras não renderam tanto, mas as que fizemos foram muito boas. Vamos conferir?

Larissa


- De volta no tempo | Caty Coelho (5/5)

Viviane


- O mistério da estrela | Neil Gaiman (4/5)
- Solo raso | Sandro Muniz (4/5)
- O último adeus | Cynthia Hand (5/5)

POSTAGEM POR: LARISSA E VIVIANE

12/10/2020

[Resenha] Qualquer lugar em casa | Vários autores

Qualquer lugar em casa

Autor(a): Vários autores
Editora: Editorial Independente
Páginas: 72
Resenha por: Viviane
Avaliação: 5/5
Compre: (11) 9 9309-5450 (WhatsApp)

*Livro cedido pela editora para resenha


Sinopse: Um projeto que reuniu 12 autores de alguns estados do Brasil para expressarem seus sentimentos durante a quarentena.

Resenha: Fiquei imensamente feliz quando recebi o convite para resenhar esta antologia, que foi lançada em e-book pela editora Editorial Independente. O livro conta com textos de onze autores, mais um da Brenda Rodrigues, organizadora da antologia.

Inicialmente temos um breve resumo de como a pandemia surgiu, o primeiro caso lá em Wuhan, na China, e o primeiro caso aqui no Brasil. A quarentena que era para durar dias ou semanas, mas já se estende por meses, e eu acredito que completará um ano. Cada pessoa tem um jeito de lidar com tudo que está acontecendo, e nesta antologia teremos relatos, em forma de versos, poemas, diálogos e dissertações, de como os autores estão lidando com a situação. Cada autor escreveu dois textos, e eu fiz um breve comentário de cada um deles.

Yasmin Cardozo

"É sobre o novo agora": O poema resume bem o que aconteceu - em poucos dias, tudo mudou, o isolamento e as coisas que antes não dávamos valor e que agora são parte de nosso dia a dia.

"O toque;
Tão pouco valorizado antes, mas,
tão desejado no novo agora!"

"A esperança do amanhã": Aqui a autora já nos traz uma reflexão de como será daqui para frente, com as lições que tiramos.

"Eu tenho esperança no amanhã! Tenho
esperança que no final a gente irá parar,
olhar e agradecer aos céus por ter passado por
essa pandemia ileso ou simplesmente vivo."

Kaylane Cristiny Nunes Ataides

"3,2,1": A autora nos mostra o quanto vivíamos em nossa bolha de segurança, mal se preocupando com as tragédias do mundo, até que o vírus bateu à nossa porta.

"Parar o mundo": Aqui a autora nos traz palavras de esperança e crença no futuro.

"Então não creio que estejamos parados!
Na verdade, estamos correndo desenfreadamente
em busca daquilo que nos mantém vivos,
completos..."

Araceli Alves

"Memórias do futuro": A autora, ao observar seu closet, reflete sobre como era sua rotina antes da pandemia e sonha com o dia em que tudo voltará a ser como antes.

"Bolsas, sapatos, perfumes... Como itens
expostos em um museu do meu modo de existir,
guardam meus sussurros de uma prece para o
futuro...
Um futuro incerto, que não sabemos quando,
de fato, se tornará presente."

"A lucidez das palavras": Descreve muito bem a rotina de quem teve que ficar em casa, os dias mais produtivos, de arrumação, e outros mais ociosos, só procrastinando.

Daniel Bahiense

"O que me restava": O autor descreve como o isolamento o fez sentir saudades de coisas que nunca nem mesmo gostou, como carnaval e praia.

"Fragmentos": Com uma narrativa bem metafórica, o autor descreve a perda de um grande amor.

Nane Ogata

"Gratidão": Comemorar o aniversário em plena quarentena fez a autora refletir sobre o que realmente importava em sua vida.

"Comemorar em meio ao isolamento social me fez entender que de nada adianta ter festa, ter o look novo para usar, se preocupar com cabelo e maquiagem, de nada vale a superficialidade se não tiver o essencial; pessoas que celebrem a sua existência!"

"O caminho": Conta como o isolamento trouxe autodescobertas e aceitação.

Ronnário

"Maio de 2020": Em poucas palavras o autor descreve como a maioria das pessoas - inclusive eu - se sentiu quando tudo começou - com medo, insegura, com crises de ansiedade e até o pensamento em desistir de tudo... um turbilhão de sentimentos.

"E um turbilhão de incertezas, no meu inconsciente fico tentando buscar sobreviver, ficar bem!"

"Sobrevivendo a 2020": Aqui o autor descreve como está sobrevivendo, um dia de cada vez.

Patrícia Bahiense

"Em tempos": Em forma de poema, a autora traz palavras de otimismo.

"Reflexão de um planeta": Com mais palavras de otimismo, a autora incentiva a solidariedade e a ser grato pelo que temos.

Luiza Castro

"Silêncios": A autora filosofa sobre o silêncio que veio junto com a quarentena.

"Prisão domiciliar": A distância do amor é descrita em forma de poema, uma saudade sem fim, mas com a crença de que tudo vai passar.

J. C. Willians

"O tempo": Acho que este foi o relato que mais me identifiquei; fala como o tempo é relativo, e como a rotina do isolamento começou tranquila e foi se tornando massante, e sobre como tivemos que nos reinventar.

 "E então você se vê a mais de três meses 'preso' em seu próprio lar e antes o que te trazia alívio começa à te sufocar."

"Lembranças": Esse relato me cortou o coração e trouxe lágrimas aos meus olhos, pois fala da perda de uma pessoa muito querida, vítima do covid.

Angel Spaniol

"Sede": Fala de como e difícil ter que ficar em casa, chega uma hora que parece até uma prisão, porque uma coisa é querer ficar em casa, outra bem diferente é ser obrigado.

"Homem de lata procura um coração": Divaga de maneira metafórica sobre a busca do sentimento mais puro - o amor -, tudo pelos olhos de um robô.

Henri Santos

"Um bate papo qualquer": O que parecia ser um diálogo entre amigos que planejavam o que iam fazer quando a quarentena acabar, se revelou algo bem diferente.

"Akuanduba": Com personagens do folclore, teremos uma outra visão do descobrimento do Brasil.

Brenda Rodrigues

"Sentimento oceânico": A autora e organizadora da antologia traz um trecho de seu livro solo, 'Auge do trauma', com palavras de gratidão, esperança e otimismo.

25/09/2020

[Resenha] Solo raso | Sandro Muniz

Solo raso

Autor(a): Sandro Muniz
Editora: Amazon
Páginas: 174
Resenha por: Viviane
Avaliação: 4/5
Compre: Amazon

*E-book cedido em parceria feita no Instagram


Sinopse: Você já pensou que a Segunda Guerra Mundial pode ter acontecido em solo brasileiro?

A história oficial foi contada faltando pedaços.

Fatos atuais e antigos da história se entrelaçam nessa ficção repleta de mistérios e muita emoção.

Pedro Gilga Sacks, arqueólogo, foi parar em uma ilha sem nome. Não sabia que iria encontrar aventuras e situações que o farão duvidar até mesmo de onde pisa.

Pedro faz amizades com pessoas peculiares - um messias que esconde ovos; uma senhora que diz ter vivido a guerra - conhece e vivencia histórias fantásticas que farão dele uma nova pessoa ao fim de sua corrida para desvendar explosões que mutilam, mulheres que somem sem deixar rastros e uma possível reinterpretação da Bíblia Sagrada. Isso se ele sobreviver.

Resenha: Pedro é arqueólogo, e seu maior sonho é descobrir um fóssil muito antigo. Por uma ironia do destino, depois de quase ser morto em um assalto, ele é transferido por sua empresa para trabalhar em uma ilha. Nessa ilha, no passado, uma ferrovia foi construída com a promessa de trazer progresso e água potável, porém ambos não chegaram. Agora a empresa que Pedro trabalha vai construir um porto, mas, para isso, a ilha será dizimada.

"As crianças choravam no que restou da praça. Elas amavam a escola. Iam a pé para lá. Seus professores eram seus tios e tias. Tudo foi demolido. Não puderam nem pegar suas mochilas. Foi uma Chernobyl sem a energia nuclear. Sem um acidente. Era de propósito."

Logo que chega à ilha, Pedro fica sabendo de alguns desaparecimentos de mulheres e algo muito intrigante: acontecem explosões dentro da mata, e os poucos sobreviventes acabam mutilados.

Pedro faz amizade com o padre da ilha, que é contra as obras, e juntamente com sua colega, Eugênia, tenta investigar tanto as explosões quanto os desaparecimentos de habitantes, principalmente mulheres jovens e com filhos. Pedro vai até um bar e escuta as mais diversas e absurdas teorias dos habitantes; alguns moradores locais mais antigos relatam que a Segunda Guerra Mundial aconteceu ali também, e mostram até os capacetes dos alemães com marcas de tiro.

Intercalado com a narrativa de Pedro, temos o dia a dia de uma das sequestradas, que vai dando pistas de quem ela é e de onde pode estar.

Durante uma busca, dentro da floresta, de Pedro e sua colega por pistas das explosões, um cachorro passa correndo e uma explosão acontece; em meio ao buraco que se forma, um artefato é encontrado, uma espécie de placa, com inscrições em uma língua muito antiga e quase desconhecida. O achado pode atrapalhar as obras, pois a Igreja pode se meter, e é o que acontece: Roma manda um padre para substituir o atual e ficar de olho na ilha e em possíveis achados arqueológicos.

"Não entenderam o que estava escrito, mas no fundo tinham certeza de que tinham achado algo importante."

Conforme a narrativa, que é de capítulos muito curtos, vai avançando, segredos vão sendo revelados, tanto do passado da ilha e de seus habitantes quanto da verdadeira intenção das obras.

Li o ebook a convite do autor e gostei bastante; foi uma ótima oportunidade de conhecer um autor nacional. A leitura é rápida e fluída, desvendando todos os mistérios apenas no final e deixando um gancho para uma possível continuação.

23/09/2020

[Textualizando] Luz no fim do túnel

Olá, livreiras e livreiros! Tudo bem com vocês? Hoje vim trazer para vocês um conto de uma escritora maravilhosa, mais conhecida como minha mãe, haha. O conto foi publicado no livro "Quando a escuridão bate à porta", e como agora os direitos autorais não são mais da editora, resolvemos publicar ele aqui para vocês. Já indico que preparem os lencinhos, pois irão precisar. Vamos lá?

Luz no fim do túnel

Acordei num susto. Talvez a janela tivesse batido com o vento, talvez fosse só o meu coração, acelerado após mais um pesadelo.

Não sei que horas são ou que dia é hoje, há dias que não sei do clima e como está o tempo lá fora.

Sento na cama, minha cabeça lateja. Ao levar as mãos até ela, sinto os cabelos sujos; não sei há quanto tempo não tomo banho. Ao olhar para o lado, vejo um reflexo no espelho do guarda-roupas; não reconheço aquela imagem. Sei que sou eu, mas não sou mais nem a sombra do que já fui.

O telefone toca, nem me viro para ver quem é, apesar de imaginar. Atiro-me de volta na cama e durmo. Durmo por não sei quanto tempo e acordo com a campainha tocando. Não tenho forças para levantar, e não é fraqueza, pois a única coisa que faço, além de dormir, é comer, comer muito, tudo o que vejo pela frente. É só mandar uma mensagem para o mercadinho da esquina que alguém entrega, a pessoa larga as compras na porta e jogo o dinheiro por baixo dela, não falo com ninguém, não quero ver ninguém. Não sei o que farei quando o dinheiro acabar e eu tiver que ir até o banco buscar mais.

Volto a olhar para o espelho. Sinto raiva do que vejo. Pego o celular e penso em jogar nele e quebrá-lo, mas preciso do meu aparelho. As forças me faltam, minha visão embaça, percebo que são minhas lágrimas rolando. Porque me sinto assim? Porque sofro tanto? De onde vem esta dor tão íntima e profunda?

Até poucos meses, eu me sentia bem, sempre tive tudo o que quis, até mais do que precisei, mas de uns tempos para cá me sinto triste, diminuída, deprimida. Sempre fui uma mulher bonita, pelo menos eu achava, e sei que era, porque era paquerada na rua, arrancava assovio dos rapazes. Porém um dia acordei, me olhei no espelho e achei meu cabelo feio, minha pele envelhecida, as roupas um pouco apertadas, e fui me isolando, ficando mais caseira, mais introspectiva, participando cada vez menos dos eventos sociais, falando cada vez menos com os amigos e, por último, me afastando da minha família, pois não acho justo levar meu baixo astral para as pessoas.

Volto a dormir, é só o que me resta. Deito e penso: Será que alguém sente minha falta? Será que alguém notaria se eu sumisse de vez? Acho que não.

E assim tenho passado meus dias: dormindo, comendo, chorando.

Decido não me levantar mais para comer, afinal, meu dinheiro acabou e não vou sair para buscar, e se eu pedir ajuda, tenho que falar com alguém, ver alguém, e isso eu não quero de jeito nenhum.

É isso! Vou só dormir. Isso se o celular e a campainha pararem de tocar.

Chega uma mensagem:

Oi filha, o que houve que tu não me atende nem no celular e nem a porta? O que está acontecendo com você? Por favor, fala comigo! Está precisando de algo? Está bem? Por favor, estou ficando desesperada com esta falta de contato. Liguei no teu serviço e disseram que tu sumiu há um mês. Por favor, filha, eu quero te ajudar, mas me diz como. Te amo! Me liga.

Choro copiosamente após ler. Eu não consigo ligar, não consigo responder a mensagem, não sei por quê. Não sei por que dói tanto, não sei de onde vem essa dor, essa angústia. Eu preciso de ajuda, mas não sei pedir, não consigo pedir.

Então eu choro, choro e durmo.

Acordo com um estrondo, não consigo levantar minha cabeça, desta vez é fraqueza, já perdi a conta de quantos dias faz que não como. Ouço vozes:

- Por aqui, ela deve estar no quarto.

Reconheço a voz da minha mãe, mas não consigo abrir os olhos, tampouco falar; estou muito fraca, meu corpo e minha cabeça doem. Perco os sentidos.

Acordo em um quarto muito simples, limpo e arejado. Meu primeiro pensamento é que morri e estou no céu.

Uma voz chama meu nome:

- Vivian, acordou? Graças a Deus! Eu estava tão preocupada, que susto tu nos deu.

- Mãe! O que tu faz aqui? Onde eu estou? O que aconteceu?

- Tu estás no hospital, minha querida. Estava desnutrida, agora já está melhor. Dormiu durante alguns dias, mas já está tudo bem. Daqui, tu vais passar uma temporada em uma clínica bem bonita, uma espécie de hotel fazenda.

Sento na cama e grito:

- Claro que não, mãe! Eu não estou louca, tu é que deve estar.

- Vivian, ninguém aqui disse que tu vai para a clínica por estar louca, tu só precisas descansar um pouco e renovar tuas forças.

- Ah, mas não vou mesmo.

- Ah, mas tu vai sim! Tu perdeu o direito de te governar quando fez esta loucura de te isolar e não me pedir ajuda.

Cruzo os braços em sinal de protesto e faço beicinho, mesmo sabendo que não adiantaria de nada discutir com minha mãe, pois se existe alguém mais teimosa que eu, este alguém é ela.

Nos primeiros dia na tal clínica, banquei a criança teimosa. Recusava-me, sem sucesso, a tomar os remédios, não participava das atividades em grupo e sempre me atrasava para as refeições.

Com o passar dos dias fui ficando cansada de ficar no quarto, os remédios que me davam estavam proporcionando-me um ânimo novo. Numa tarde ensolarada, resolvi conhecer a parte externa da clínica e surpreendi-me com sua beleza; era realmente um hotel fazenda, com piscina, árvores frutíferas e uma belíssima estufa com flores exuberantes; aspirei o perfumes delas e absorvi suas energias. Ao fundo do jardim, avistei uma cabana, caminhei até lá e, ao entrar, pude ver que era bem maior por dentro do que aparentava ser por fora. Encontrei lá várias telas em branco e os mais diversos materiais de pintura. A sala estava vazia, parecia esperar alguém, parecia esperar-me.

Peguei um pincel, olhei em volta para ver se estava sendo observada, não vi ninguém. Escolhi algumas tintas, fechei os olhos, visualizei as flores da estufa que tinha acabado de ver, então abri os olhos e dei minha primeira pincelada. Fiquei surpresa por ver como eu tinha habilidade com o pincel. A cada pincelada, formas surgiam, imagens se concretizavam, saiam da minha mente, direto para a tela. Eu gostei daquela experiência, gostei mesmo, como há muito tempo eu não gostava de nada.

Estava tão imersa em meus pensamentos e naquela obra que surgia na tela que levei um susto ao ouvir palmas atrás de mim. Virei-me rápido e dei de cara com um belo rapaz. Fiquei constrangida, pelos aplausos e pela beleza do homem.

- Olá, Vivian! Vejo que já conheceu nosso estúdio.

Respondi, completamente envergonhada:

- Olá, sim. Desculpe a intromissão, eu não deveria estar aqui.

Tentei sair, mas ele me bloqueou.

- Não. Fique. É um prazer recebê-la aqui, e prazer maior ainda saber que é uma artista.

- Não, eu não sou. Na verdade, nunca tinha pegado um pincel na mão.

- Então temos uma revelação aqui. Por favor, fique. A aula já vai começar, em breve seus colegas estarão chegando.

Apesar de sentir-me muito envergonhada, eu fiquei, e começamos uma agradável conversa. Descobri que seu nome era Nicolas, e que era professor de artes plásticas nas horas vagas, mas psicólogo por profissão.

Já passaram-se três meses desde que minha mãe trouxe-me para a clínica. Hoje estou aqui porque quero e já não porque preciso. Em um mês, farei minha primeira exposição de pintura em tela, um dom que descobri graças a pessoas que não desistiram de mim, nem quando eu mesma já tinha desistido. Estou preparando meu discurso para o dia da inauguração da galeria que aluguei no centro da cidade e que vou expor junto com meus colegas da clínica.

Discurso:

Sejam todos bem vindos a galeria de exposição "Renascer"!

Gostaria de fazer uns breves agradecimentos: primeiro, à Violeta, minha mãe, pois me deu a vida, duas vezes.

Segundo, Nicolas, pois acreditou no meu talento, mas acima de tudo fez-me acreditar que era capaz.

Hoje percebo que não se chega a lugar algum sozinho. Somos egoístas, eu fui egoísta, e quase sucumbi. Mas Deus quis que eu tivesse uma segunda chance, e esta não vou desperdiçar por nada nesta vida. Hoje sou grata pela vida que tenho e pelos amigos e familiares que Ele colocou na minha vida. Acho que tenho uma missão. Infelizmente foi preciso ir ao fundo do poço para me dar conta o quanto a vida é bela, do quanto eu amo viver. E hoje eu celebro a vida, a minha e a de todos que vou ajudar, doando parte do lucro das obras aqui expostas para ONGs que amparam aqueles que, como eu, um dia quase deixaram-se entrar na escuridão, mas que perceberam a tempo que bem no finalzinho do túnel existe uma luz, e que vale muito a pena lutar para chegar até ela.

Muito obrigada!

Viviane Dutra

POSTAGEM POR: LARISSA

21/09/2020

[Resenha] Uma latinha diferente | Julinho Sertão

As aventuras de Quarentino

Autor(a): Julinho Sertão
Editora: CeNE
Páginas: 28
Resenha por: Viviane
Avaliação: 5/5
Compre: Editora

*Livro cedido pela editora para resenha


Sinopse:
Conheça a história de uma latinha de conservas que questiona sua existência e a sua utilidade. Após passar por diversas divergências, ela acaba aprendendo e nos ensinando uma lição de sustentabilidade com final feliz e transformador.

Resenha: Com um prefácio do querido Ziraldo, que é só elogios ao autor, começamos esta linda fábula moderna.

Latinha é uma lata cheia de sonhos e aspirações, e aqui vai contar sua história; ela foi criada em uma fábrica, e no começo não sabia qual seria seu conteúdo ou seu destino. A lata teve vontade de fugir, mas não podia.

"O que será de mim?
O que vou conter?
E depois que estiver vazia?"

Depois de ganhar uma roupinha (rótulo), ela e suas colegas foram levadas para um supermercado, e lá foram dias esperando até que alguém a comprasse.

Quando o momento tão esperado chegou, Latinha ficou muito feliz, mas logo que seu conteúdo foi usado, ela foi descartada no saco de lixo e levada para um lugar com um cheiro muito ruim. E agora, qual será o destino de Latinha?

Eu fico encantada com como uma estória infantil nos passa tantos ensinamentos em tão poucas páginas. Além da linda estória da latinha com suas dúvidas e sonhos, o livro traz para as crianças lições de reciclagem e as incentiva a pensar e pesquisar para onde vai o lixo que sai de suas casas.

O autor deixa nos rodapés várias dicas de como uma lata é fabricada, a importância de economizar na hora das compras, e tem até uma informação muito legal: as cores dos resíduos que podem ser reciclados ou não.

"Azul - papéis e papelões;
Verde - vidros;
Vermelho - plásticos;
Amarelo - metais;
Marrom - resíduos orgânicos;
Preto - madeiras;
Cinza - materiais não reciclados;
Branco - hospitalares;
Laranja - resíduos perigosos;
Roxo - resíduos radioativos."

O livro também conta com ilustrações incríveis que dão vida e todo um charme para a nossa protagonista.

Recomendo demais a leitura e acho que deveria ser leitura obrigatória nas escolas, com as crianças das séries iniciais.

18/09/2020

[Resenha] Objetos cortantes | Gillian Flynn

Objetos cortantes

Autor(a): Gillian Flynn
Editora: Intrínseca
Páginas: 256
Resenha por: Viviane
Avaliação: 4/5
Compre: Amazon / Submarino




Sinopse: Com reviravoltas surpreendentes, Sharp Objects: Objetos cortantes narra o retorno da repórter Camille Preaker, recém-saída de um hospital psiquiátrico, à sua cidade natal para investigar o brutal assassinato de uma menina e o desaparecimento de outra. Desde que deixou a pequena Wind Gap, no Missouri, oito anos antes, Camille quase não falou com a mãe neurótica, o padrasto e a meia-irmã que praticamente não conhece. Hospedada na casa da família, a jornalista precisa lidar com as memórias difíceis de sua infância e adolescência. E à medida que as investigações para elaborar sua matéria avançam, Camille passa a desvendar segredos perturbadores, tão macabros quanto os problemas que ela própria enfrenta.

Resenha: Camille é uma jornalista de mais ou menos trinta anos que acaba de dar alta de um hospital psiquiátrico por se automutilar, e recebe de seu chefe a missão de voltar à sua cidade natal para cobrir o assassinato de uma garotinha de nove anos, que foi o segundo em menos de um ano.

Sem muita opção, já que precisa do emprego, Camille volta a Win Gap, no Missouri, e hospeda-se na casa de sua mãe, já que a verba do jornal é curta.

Muitos fatos do passado da mulher vão sendo revelados, e aos poucos vamos entendendo o porquê de Camille ter se autoflagelado.

Quando ainda era criança, Camille tinha uma irmã que tinha todo o amor e atenção da mãe por ser uma criança doente e que veio a falecer; a mãe nunca superou a perda e parecia descontar em Camille a sua dor.

"Não sentia nenhuma fidelidade especial à cidade. Era o lugar onde minha irmã morrera, o lugar onde eu começara a me cortar. Uma cidade tão sufocante e pequena que todos os dias você esbarrava em pessoas que odiava. Pessoas que sabiam coisas sobre você. É o tipo de lugar que deixa marcas."

A adolescência de Camille foi bastante conturbada, com direito a estupro coletivo e humilhações em público. Assim que teve idade, foi embora, e agora que precisou voltar terá que encarar seus fantasmas do passado e, ainda, investigar quase que por conta própria os assassinatos, já que sua presença não é bem vinda, nem pela polícia local e menos ainda por sua mãe, que parece incomodada com a presença da filha, já que agora ela tem outra filha, Amma, com treze anos, que tem toda a atenção da mãe, mas que tem atitudes que parecem estar "gritando por socorro".

Há muito tempo que eu queria ler algo da autora, e optei por "Objetos cortantes" por ser seu livro de estreia. Achei a narrativa um pouco pesada pelos detalhes dos acontecimentos, mas entendo ser necessária para a construção da personagem que tinha tendências a álcool, drogas e automutilação. O mistério dos assassinatos foi o ponto alto da leitura, e o final foi uma grande surpresa.

16/09/2020

[Tag] Gaúcha

Olá, livreiras e livreiros! Em homenagem ao mês dos gaúchos, hoje viemos responder uma tag bem bagual, que vimos no ig @aninheoslivros. Vamos conferir?

1. Bah! - um livro que te deixou sem palavras:
Larissa: "De volta no tempo" (Caty Coelho) - Esse foi um livro que, de tão amorzinho e emocionante, me deixou sem palavras, com certeza - principalmente no final.
Viviane: "Árvore dos desejos" (Katherine Applegate) - Este é o livro mais fofo que li nos últimos tempos; não tenho nem palavras para descrever o quanto gostei.

2. Me caiu os butiá dos bolso! - um livro que te surpreendeu:
Larissa: "O vilarejo" (Raphael Montes) - Esse foi um livro que já fui com altas expectativas, de tanto que minha mãe me indicou, e mesmo assim fui surpreendida.
Viviane: "A paciente silenciosa" (Alex Michaelides) - Foi uma leitura bem intensa, e o nó na cabeça do leitor fica por conta da ordem cronológica da estória. O final me surpreendeu bastante.

3. Capaz?!?! - um livro/autor que te fez de trouxa:
Larissa: "O misterioso caso de Styles" (Agatha Christie) - Foi o primeiro livro da autora que li, e fui feita de trouxa a cada página, pois quando Poirot pensava em algo, eu já pensava "é isso!", mas no final, claro, não era.
Viviane: "O pântano das borboletas" (Federico Axat) - Torno-me repetitiva com esta indicação, mas se tem um livro que me fez de trouxa - coisa que eu adoro -, foi este. Que final!

4. Te larguei pras cobra! - um livro que você abandonou:
Larissa: "O rosto que precede o sonho" (Maurício Gomyde) - Não considero exatamente um abandono, pois li umas dez páginas e não consegui mais; acho que só não estava no clima.
Viviane: "Cinquenta tons de cinza" (E. L. James) - Eu não sou de abandonar livros, mas este realmente não é para mim; mal consegui chegar na metade.

5. Mais perdido que cusco em procissão! - um livro que você não entendeu o desenvolvimento ou o final: 
Larissa: "O enigma" (Darlon Carlos) - Foi uma leitura que me tirou totalmente da minha zona de conforto, e o final me deixou com aquela pulga atrás da orelha, pois fiquei na dúvida se entendi ou não.
Viviane: "S" (autor) - Que leitura complexa... o que tem de linda a edição, tem de confusa a leitura. Tem todo um esquema para ler, por partes, e quando a gente chega no final já esqueceu do início. 

6. Preteou o olho da gateada! - um livro que te deixou muito tenso: 
Larissa: "A garota no trem" (Paula Hawkins) - Livros que envolvem crimes por si só já deixam o leitor tenso, então imaginem um livro no qual não se pode confiar nem no que a narradora diz ou conta.
Viviane: "Cujo" (Stephen King) - Gente, que livro tenso! Eu adoro leituras assim, mas este me fazia esquecer de respirar.

7. Te aprochega pro mate! - agora indica para os teus seguidores e amigos um livro que tu ama:
Larissa: "Escola dos mortos" (Karine Vidal) - Não poderia ser diferente esta indicação. Eu amo esse livro com todo o meu coração, e indico para todo mundo, pois ele tem um pouco de tudo (romance, ação, suspense etc).
Viviane: "Quatro vidas de um cachorro" (W. Bruce Cameron) - Eu amo muitos livros, mas este é bastante especial, porque o protagonista é um cachorro. Quero muito reler assim que possível.

POSTAGEM POR: LARISSA E VIVIANE

14/09/2020

[Resenha] O verão em que tudo mudou | Vários autores

O verão em que tudo mudou

Autor(a): Vários autores
Editora: Faro Editorial
Páginas: 304
Resenha por: Larissa
Avaliação: 5/5
Compre: Amazon / Submarino




Sinopse: A vida sempre guarda inúmeras surpresas. E, sem avisar, ela muda de direção. Três jovens, de cidades distantes, com diferentes realidades, descobrindo o mundo a partir de suas próprias escolhas: complexo, difícil, libertador. Três histórias que se cruzam, no exato momento em que se coloca, diante de cada uma delas, uma exigência capaz de definir algo para o resto de suas vidas. Com os autores Gabriela Freitas, Thais Wandrofski e Vinicius Grossos.

Resenha: "O verão em que tudo mudou" nos traz três contos, que se ligam, de três autores diferentes. Cada conto passa-se em um mês do verão.

O primeiro conto, "Quando os infinitos se encontram", de Vinícius Grossos, conta a estória de Frederico. O rapaz tem dezoito anos e, ao chegar no famoso dilema do terceiro ano do ensino médio sobre qual caminho seguir, enquanto estava na dúvida sobre qual faculdade cursar, ao mesmo tempo em que era pressionado pelos pais, ele acabou indo fazer uma entrevista para vendedor em uma livraria - e conseguiu a vaga.

Nosso protagonista vive uma vida simples e pacata; é véspera de Natal, mas, desde que seus avós morreram, seus pais não comemoram mais essa data, então para ele seria apenas mais um dia comum... se ele não conhecesse Valentina. Quando está fechando a livraria para ir embora, aparece uma garota implorando para que ele pegue de volta um exemplar que ela ganhou - e ele vendeu naquele mesmo dia. Mais tarde, quando já está indo para casa, os dois se encontram novamente, e Frederico acaba decidindo ajudar a menina, que está desesperada, pois quer voltar para sua cidade.

"Minha cabeça não para de girar com a complexidade desse momento, de um modo geral. Uma menina que nunca vi na vida está na minha cama, esperando que eu prepare um sanduíche e, basicamente, tudo o que sei sobre ela é seu nome, signo e o quanto ela é bonita."

Valentina e Frederico passam por diversas aventuras juntos, e acaba que um transforma o Natal do outro melhor.

O próximo conto é da Gabriela Freitas e chama-se "Mantenha-se viva!". Lavínia, após passar para a tão sonhada faculdade de arquitetura e urbanismo, já não tem mais certeza se é isso mesmo o que quer da vida, e decide viajar para Búzios, no Rio de Janeiro, para se conhecer melhor e descobrir o que ela quer da vida.

"Fazer arquitetura e urbanismo em uma das mais concorridas faculdades do país foi, por anos, o grande sonho da minha vida. Quer dizer, eu achei que fosse. Como se aos dezoito anos alguém pudesse ter certeza de qual é o seu grande sonho."

Acontece que Lavínia guarda um grande trauma de algo que aconteceu e abalou as estruturas da sua família, principalmente a dela, pois ela se sente a responsável pelo o ocorrido.

Logo no começo da sua viagem - antes mesmo de chegar na pousada na qual irá ficar hospedada nos seus dias em Búzios, Lavínia conhece Cauê, que coincidentemente é filho da dona da pousada, e vocês já devem imaginar que os dois pombinhos irão se aproximar e se apaixonar.

O último conto é "Pôr do sol", da Thaís Wandrofski, e nos conta a estória de Sol, uma garota super organizada - do tipo que planeja tudo nos mínimos detalhes mesmo -, controladora e egocêntrica. Suas férias estão acabando e, ao perceber que não aproveitou seus dias de folga até o momento, decide fazer uma lista, planejando como serão seus próximos - e últimos - dias de férias antes de começar a faculdade. Ela chama sua irmã gêmea, Stela, e sua melhor amiga, Bia, para essa aventura.

No segundo dia, porém, seus planos já vão por água abaixo. Ela recebe uma mensagem de um estranho, que errou o número, e os dois começam a conversar. Isso faz com que ela perca a hora, pegue no sono no momento errado, e assim seu planejamento para o dia seguinte acaba não dando certo.

Por causa desse erro, e também por outras questões, Bia revolta-se com Sol pela primeira vez e expõe algumas verdades para ela. Sol vivia sempre no seu mundinho particular, controlando todos a sua volta, e não percebia o quanto estava sendo controladora.

"Não quero ser mais esse tipo de pessoa. Quero ser alguém com quem os outros estejam por vontade própria, não porque se sentem comandados. Realmente preciso mudar. E é isso o que vou fazer!"

Os três contos foram muito especiais para mim: o do Vini deixou-me com um sentimento de aconchego e inspirou-me bastante; o da Gabi mostrou-me que muitas vezes precisamos dar um tempo de tudo para descobrirmos quem realmente somos e superar nossos traumas; e o da Thaís me ensinou que não podemos viver no nosso próprio mundinho, controlando a tudo e a todos, pois nossos problemas não são os únicos nem os maiores.

11/09/2020

[Resenha] Viagem ao centro da Terra | Júlio Verne

Viagem ao centro da Terra

Autor(a): Júlio Verne
Editora: Martin Claret
Páginas: 220
Resenha por: Viviane
Avaliação: 4/5
Compre: Amazon / Submarino




Sinopse: Após decifrarem um código oculto em misteriosas inscrições rúnicas, o professor Lidenbrock e seu sobrinho Axel embarcam numa jornada que homem algum ousaria trilhar. Em meio a sua descida rumo ao centro da Terra, os dois aventureiros enfrentam a fúria de rios subterrâneos, deparam-se com insetos e cogumelos gigantes e com estranhos fenômenos físicos, além de encontrarem resquícios de um mundo pré-histórico e desconhecido que sobreviveu ao tempo. Viagem ao centro da Terra, publicada originalmente em 1864, é uma das principais obras de Júlio Verne, precursor da ficção científica. Ao longo da narrativa, fantasia e ciência coexistem e confundem-se, conforme o autor transita livremente entre elas. Mais do que uma história de aventura, Viagem ao centro da Terra é o registro de uma postura própria de Verne em relação à ficção, em que o exercício da imaginação e do fazer artístico não é avesso à curiosidade científica.

Resenha: Em 2018 decidi incluir entre as leituras de parcerias alguns livros de autores ou editoras que ainda não tive a oportunidade de conhecer, e o Júlio Verne foi um deles, o qual escolhi "Viagem ao centro da terra" para ler.

O livro é narrado por Axel, sobrinho do nosso protagonista, o professor Lidenbrock, famoso cientista, pesquisador, geólogo e mineralogista de Hamburgo dos anos 1800.

Certo dia, o professor chega em casa, radiante por ter encontrado um manuscrito de um famoso cientista e pesquisador que viveu 300 anos antes; o livro continha escritos em runa e de dentro dele cai um pergaminho, que aguça a curiosidade do professor e de seu sobrinho. Após horas tentando decifrar, Axel desvenda a frase que faz referência a uma suposta entrada que daria direto ao centro da Terra.

Imediatamente o professor prepara tudo e parte com o sobrinho para o monte Sneffeles, na Islândia, pois o dia no qual o sol indicaria a direção a seguir se aproximava. Axel não teve nem tempo de se preparar e se despedir direito de sua noiva, Grauben, que vivia sob a tutela do professor Lidenbrock.

Ao chegar na Islandia, contrataram Hans, um caçador local, como guia e partiram. Axel considerava uma loucura, pois julgava impossível chegar ao centro da Terra, pois, pelo o que se sabia, a temperatura era muito alta, impossível para qualquer um descer mais do que algumas léguas, (as referências de medidas do livro são em léguas, pés, milhas, frações etc).

Após chegarem ao  Sneffeles, um vulcão adormecido, eles levam alguns dias para subir ao topo e mais outros tantos para descer até a base dele e aguardar o sol indicar qual direção devem tomar.

"No momento de entrar naquele corredor escuro, ergui a cabeça e vi uma última vez, pelo imenso tubo, aquele céu da Islândia 'que não devia voltar a ver'."

Eles tinham água para uns oito dias e, após entrarem na caverna que julgavam a certa, levaram cinco dias até perceber que tinham pego uma bifurcação errada pelo caminho; na volta, para pegar outro caminho, ficaram sem água. Quando retornaram à base do vulcão, estavam quase desidratados, mas o tio insistiu que pegassem outra direção por um dia, e se não desse certo voltariam e iriam embora.

Mas graças à teimosia do tio, eles encontraram água, quando já estavam no limite de suas forças, mas não foi só isso, eles encontraram mar, e uma atmosfera em uma espécie de caverna gigante, tão grande que era impossível ver o seu final. Ali eles encontraram espécies de plantas pré-históricas e gigantescas, assim como fósseis jamais conhecidos pela ciência.

"Sentia-me revigorado e decidido a ir longe. Por que razão um homem convencido como o meu tio, um guia industrioso como Hans e um sobrinho 'decidido' como eu não teriam êxito?"

Mas ali ainda não era o centro da Terra; eles construíram uma jangada e navegaram por dias, enfrentando tempestades e animais marinhos jamais vistos por olhos humanos.

"Viagem ao centro da Terra" foi escrito em 1864 e traduzido para diversas línguas, tendo aqui no Brasil dezenas de publicações - pude observar duas delas: esta, lançada pela Martin Claret, e outra, lançada pela Larousse, e elas têm traduções bem distintas, inclusive quanto aos nomes dos personagens.

O livro é bem pequeno e a leitura tão envolvente que é possível ler bem rapidinho. Não deixem de conhecer as aventuras do professor Otto Lidenbrock e seu sobrinho Axel, sem esquecer do corajoso Hans, pois, sem ele, acho que nossos protagonistas não chegariam vivos ao final do livro.

09/09/2020

[Lançamentos] Editora Astral Cultural | Setembro - 2020

Olá, livreiras e livreiros! Como vocês estão? Hoje viemos trazer para vocês os lançamentos de setembro da Editora Astral Cultural - e já adianto que tem coisa boa para os fãs de "A barraca do beijo", viu? -, e esperamos que gostem. Vamos conferir?


Pé na estrada: Aproveitar as férias de primavera ao lado de LEE FLYNN era tudo o que ELLE EVANS queria. Depois de alguns desentendimentos entre os dois e até mesmo um rompimento quase definitivo entre Elle e o irmão de Lee, NOAH FLYNN, uma viagem cruzando o país era tudo aquilo que os melhores amigos precisavam para ter algum tempo para conversar - mas não falar sobre a faculdade - e, é claro, fazer dessas as melhores férias de todos os tempos, digna de muitos likes nas redes sociais. O destino final? Encontrar NOAH FLYNN, que está em Harvard. Mas as paradas da viagem mais divertida do ano reservam muito mais que um final feliz para Elle e Noah.

Um dia de magia: Mileninha acaba de ganhar novas vizinhas e está curiosa para conhecê-las, então, por que não fazer um bolo e ir até lá dar boas vindas? Quando finalmente conhece Agnes, uma de suas novas vizinhas, e brincar muito de karaokê, ela descobre que a garota é sobrinha dela. Da dona bruxa, que não é muito fã de música resolve aprontar mais uma: tirar a melodia de Mileninha. Dessa vez, a dona bruxa foi longe demais. para recuperar sua melodia e poder cantar novamente, Mileninha vai precisar da ajuda de agnes e da sua, é claro. Aqui, vocês enfrentarão desafios e confusões na casa da dona bruxa em busca da poção que será capaz de ajudar Mileninha. Prepare-se para um dia animado e cheio de aventuras.

POSTAGEM POR: LARISSA E VIVIANE

07/09/2020

[Resenha] Meus 15 anos (meus 15 anos #1) | Luiza Trigo

Meus 15 anos

Autor(a): Luiza Trigo
Editora: Rocco
Páginas: 232
Resenha por: Larissa
Avaliação: 4/5
Compre: Amazon / Submarino




Sinopse: Uma festa de cinema! Este era o sonho de Bia, prestes a se tornar realidade em Meus 15 anos. Ela só não esperava que sua grande noite daria um filme - com direito a drama, romance, comédia e ação de tirar o fôlego. Bia é a protagonista do segundo romance da escritora Luiza Trigo, que vem conquistando seu espaço entre o público adolescente e pré-adolescente desde sua estreia com Carnaval e que agora convida os leitores para uma superfesta. Aliás, para a festa. Afinal, os 15 anos da Bia, a garota mais nerd e distraída do colégio, prometem surpreender muita gente. A começar pela metida e invejosa Jéssica, que logo se empenha em arrumar um jeito de estragar tudo, principalmente quando ela descobre o local da festa: nada menos que o Copacabana Palace. Outro que fica surpreso com a novidade é Thiago, o garoto mais bonito do nono ano e paixão platônica de Bia, até então praticamente invisível aos olhos dele. Mas há também o Bruno, o melhor amigo de Bia, aquele com quem ela sempre pode contar - inclusive para ser seu príncipe na cerimônia; e, claro, as amigas inseparáveis Amanda, Roberta, Carol e Priscila, com quem ela pode dividir suas expectativas e inseguranças, alegrias e tristezas antes, durante e depois do grande dia. Alternando a narrativa entre os personagens, a autora apresenta diferentes pontos de vista, tornando o texto ainda mais dinâmico e divertido. Desde a entrega dos convites até o surpreendente desfecho, não só a protagonista, mas também as melhores amigas, a rival, o amigo, o garoto popular, todos contam um pouquinho dessa história movida a sonhos, paixões, ciúmes, alegrias, decepções e, principalmente, amadurecimento, amizade e amor. Apaixonada por filmes, livros e música, Bia queria uma festa de cinema. No livro, repleto de referências à sétima arte - cada capítulo traz o título de um filme com o qual a garotada certamente vai se identificar -, ela acabou virando a estrela do mais importante deles: o filme da sua vida.

Resenha: Nesse livro vamos conhecer Beatriz, uma garota considerada nerd, que está prestes a fazer quinze anos e ter uma festa inesquecível.

Bia tem uma paixonite por Thiago, o garoto mais lindo e popular da escola, porém sabe que ele nunca olharia para ela, já que ela é a "nerd sem graça" e ele o "garanhão popular".

"A gente sempre quer o cara errado."

Amanda, Priscila, Roberta e Carol são as amigas da nossa protagonista, além de Bruno, que é seu melhor amigo desde sempre, porém essa amizade é posta em risco quando ele se descobre apaixonado pela garota.

"Ela é a menina mais incrível que conheço, além de termos todos os gostos praticamente iguais. Gostamos dos mesmos grupos musicais, dos mesmos tipos de filme, nós seríamos perfeitos um para o outro, só ela que não vê isso."

É claro que em um livro adolescente não poderia faltar as rivais. Jéssica e Rita são daquele tipo de garotas ricas que odeiam todos na escola, e quando Jéssica fica sabendo da festa de Bia, fica com medo de que a festa da garota possa ser melhor que a sua, então ela fará de tudo para estragar a noite da nossa protagonista.

Li esse livro em pouquíssimo tempo, pois além de ser curtinho, a narrativa é bem rapidinha. A única coisa que me incomodou um pouco na escrita foi que, por o livro ser narrado por diversos pontos de vistas diferentes, muitas cenas tornaram-se repetitivas. Fora isso, o livro está mais do que indicado para todas as adolescentes de quinze anos - e também para as que já não tem mais quinze anos, como eu.

04/09/2020

[Resenha] Um caminho para a liberdade | Jojo Moyes

Um caminho para a liberdade

Autor(a): Jojo Moyes
Editora: Intrínseca
Páginas: 424
Resenha por: Viviane
Avaliação: 5/5
Compre: Amazon / Submarino




Sinopse: Em uma época em que não seguir os costumes e a religião era transgressão gravíssima, o caminho de um grupo de mulheres se cruza de maneira inesperada. A década de 1930 está chegando ao fim, e, em uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos, a ideia de que as moças administrem uma biblioteca itinerante desafia o status quo.

Com o compromisso de levar livros para os moradores mais pobres da região, Margery, Alice, Beth, Sophia e Izzy aceitam trabalhar na biblioteca. E à medida que enfrentam inúmeras dificuldades, como aprender a cavalgar, percorrer rotas de difícil acesso e suportar o preconceito dos mais conservadores, elas fortalecem o laço que as une e descobrem mais sobre si mesmas. Em pouco tempo, toda a cidade se volta contra o grupo, colocando em risco a sobrevivência do projeto. E as mulheres vão se perguntar mais uma vez se o poder das palavras será suficiente para salvá-las.

Inspirado em uma história real, Um caminho para a liberdade fala de lealdade, independência e justiça. Com uma trama envolvente e emocionante, Jojo Moyes faz o leitor refletir sobre as redes de apoio e amizade entre mulheres e como é preciso ir além dos nossos - supostos - limites. Afinal, conquistar a liberdade nunca é fácil.

Resenha: O livro conta a estória de quatro jovens, nos anos 30, que tinham a missão de levar conhecimento na forma de livros às áreas rurais mais remotas e isoladas da cidadezinha onde viviam, sempre a cavalo.

Beth é uma jovem rebelde que vive com o pai e irmãos, e fuma e bebe às escondidas. Izzy é filha da idealizadora do projeto e foi forçada pela mãe a trabalhar na biblioteca, para dar exemplo de voluntariado e estimular outras mulheres a fazer o mesmo; a moça reagiu muito mal, pois tinha uma deficiência física, resultado da poliomielite que teve quando bebê. Margery é uma mulher independente de quase quarenta anos, que mora sozinha, mas mantém um relacionamento íntimo de dez anos com Sven. Alice, uma moça estrangeira que se casou com o filho do dono da mina local e não era vista com bons olhos pelos moradores locais, se voluntariou para tentar se enturmar e para provocar o marido, já que estavam tendo problemas no casamento de apenas meio ano por ainda morarem na casa do sogro.

"Aos poucos se deu conta de que trocara uma prisão domiciliar por outra."

Os livros eram doações e muitas vezes em péssimo estado. Margery traçou rotas e nas primeiras semanas fez a rota de Alice com ela para que a jovem estrangeira conhecesse a cidade e sua área rural. Alguns moradores as recebiam bem, outros nem tanto, e alguns até as ameaçavam com uma espingarda.

"Boa coisa não é. As mulheres têm é que cuidar da casa. Daqui a pouco vão querer que sejam mineradoras, dirijam caminhões..."

O foco do livro é a biblioteca a cavalo, mas como pano de fundo temos a mineração e a influência dos poderosos da cidade que querem tirar as famílias de suas casas para expandir o negócio. Margery fica sabendo e escreve cartas anônimas instruindo os moradores a não assinarem nada, mas logo ela é descoberta e compra uma briga enorme com o sogro de Alice, que é o dono da mineradora. Nesse ponto, o velho já tinha batido em Alice e ela já estava morando com Margery, fato que só aumentou a ira do homem.

Mesmo com um inverno rigoroso, as mulheres nunca deixavam de entregar os livros. Quando a neve derreteu, um corpo foi encontrado e, com ele, um livro da biblioteca; foi a oportunidade que o dono da mina viu de acabar com a biblioteca itinerante, acusando uma das mulheres de assassinato.

Eu devo dizer que me surpreendi muito com todo o desfecho deste livro. Anteriormente não tive uma experiência de leitura muito boa com a autora e comecei a ler este com receio de que fosse influenciada, mas não, a escrita é envolvente, temos cenas emocionantes e outras engraçadas. Praticamente li em dois dias, sendo que no primeiro li 250 páginas. Apesar de a narrativa se passar na década de 30, não temos uma escrita de época. O livro fala de empoderamento feminino, da luta das mulheres por direitos e reconhecimento, do machismo e da influência de quem tem recursos. Tem um rompimento de barragem que me lembrou muito as tragédias que nosso país viveu há pouco tempo. Tem o racismo, e tem também muita amizade, cumplicidade e romance. É uma leitura que indico muito.

02/09/2020

[Lidos do mês] Agosto | 2020

Olá, livreiras e livreiros! Hoje viemos mostrar para vocês quais foram as nossas leituras de agosto. Vamos conferir?

Larissa




- O lado bom da vida | Matthew Quick (4/5)
- A casa dos enforcados | Mércia Ferreira (3/5)
- Dez leis para ser feliz | Augusto Cury (4/5)
- As aventuras de Quarentino | Adriano Evangelista (5/5)
- O livro das sombras | Nick Exaltação (5/5)
- O misterioso caso de Styles | Agatha Christie (5/5)
- Se não fosse por você, eu não estaria aqui | Vários autores (5/5)
- A escolha erótica | Natália Rosa (3/5)

Viviane



- Os segredos que guardamos | Lara Prescott (3/5)
- O menino de papel | Fabiano Carneiro (5/5)
- A última festa | Lucy Foley (4/5)
- Árvore dos desejos | Katherine Applegate (5/5)
- Canção das profundezas | Vários autores (5/5)

POSTAGEM POR: LARISSA E VIVIANE

31/08/2020

[Resenha] As aventuras de Quarentino | Adriano Evangelista

As aventuras de Quarentino

Autor(a): Adriano Evangelista
Editora: CeNE
Páginas: 28
Resenha por: Larissa
Avaliação: 5/5
Compre: Editora

*Livro cedido pela editora para resenha


Sinopse: Quarentino e sua turma levavam suas vidas de maneira tranquila, mas de repente surgiu no mundo um inimigo perigoso, capaz de atacar várias pessoas ao mesmo tempo, e com uma velocidade surreal. Esse vilão é chamado de Coronavírus, e ele causa uma doença chamada COVID-19, que deixa as pessoas muito doentes, caso elas não tomem várias medidas de segurança. Você precisa saber como ajudá-los nesta missão, embarque nesta história e torne-se também um herói na luta contra esse inimigo.

Resenha: Em "As aventuras de Quarentino", uma história em quadrinhos infantil, vamos acompanhar os amigos Quarentino, Gelvid e Soap, que estão procurando saber mais sobre o coronavírus, e, assim, aprender mais juntos.

Os amigos conversam sobre a situação do mundo após o surgimento do vírus, sobre os sintomas da doença e sobre o quão grave ela pode ser.

"Amigos, a doença é algo muito sério mesmo! Eu posso estar com ela sem saber."

Eles decidem se tornarem super heróis, para assim diminuírem a proliferação do vírus; então eles se munem de álcool em gel e máscaras e vão à luta, cada um fazendo a sua parte.

"Amigos, vamos reduzir esse vírus do mundo com as nossas atitudes!"

As páginas são bem coloridas, com ilustrações maravilhosas, e conforme vão sendo citadas expressões que podem ser um tanto difíceis para as crianças, logo abaixo tem o significado, explicado de forma bem simples e de fácil entendimento.

No final do livro temos ainda mais informações, como medidas preventivas e instruções de como higienizar as mãos. Logo após, o livro conta ainda com atividades, como caça-palavras e um desenho para colorir. Tem como ser mais perfeito?

Eu achei maravilhosa essa iniciativa da editora CeNE de publicar um livro infantil com tantas informações e tão bem explicadas de forma lúdica para as crianças. Foi uma leitura valiosa até para mim, então imaginem o quanto ela tem a acrescentar aos pequenos, que podem estar desinformados no momento, sem saber o que está acontecendo no mundo. Leitura mais do que recomendada!

28/08/2020

[Resenha] O desconhecido (transmutados #1) | Vanessa Tourinho

O desconhecido

Autor(a): Vanessa Tourinho
Editora: Modo
Páginas: 288
Resenha por: Larissa
Avaliação: 4/5
Compre: Amazon




Sinopse: Tudo que Luisa queria, ao sair do orfanato onde cresceu, era uma vida tranquila e normal, mas ao invés disso, em seu décimo oitavo aniversário descobre possuir o poder de ler pensamentos. A beira do colapso emocional acaba conhecendo Toni, de uma maneira nada convencional. Então aprende que nasceu com uma anomalia genética, chamada Transmutação, que gera habilidades sobre-humanas. Além disso, Luisa descobre que todo Transmutado é destinado a um parceiro ideal, e apega-se a ideia de amá-lo sem mesmo conhecê-lo, e parte em busca deste homem desconhecido, ignorando todos os perigos que essa busca pode trazer aos seus amigos e a si mesma.

Resenha: Luisa é uma jovem órfã que, aos poucos, vai descobrindo não ser uma pessoa comum, assim como seus colegas e amigos, já que ela tem poderes, como ler pensamentos e sair do próprio corpo em forma de "espírito".

"Atravessar paredes, 'voar', ler pensamentos... Isso seria um sonho para qualquer um, não acha? Mas para mim foi um pesadelo."

Ao quase atropelar um rapaz acidentalmente, Luisa acaba descobrindo que ele veio para o Brasil à procura dela e que ele também tem poderes. Logo Antônio - ou Toni -, o rapaz quase atropelado, apresenta para Luisa seu clã, que é como uma família para ele, composto por mais três amigos - Maya, Richard e Camile - também transmutados (como são chamadas as pessoas como eles).

Com sua nova "família" Luisa vai descobrir muitas coisas sobre quem ela é e o que mais é capaz de fazer, bem como ficar sabendo que todos transmutados já nascem destinados a alguém, sendo que as mulheres terão uma Visão e então terão que procurar pelo seu par, que também se sentirá atraído por elas.

"Entrar nas mentes é conhecer o verdadeiro caráter de uma pessoa, é conhecer sua essência, mas, como um jogo, uma hora, tudo isso me cansou."

Quando Luisa tem sua Visão, ela imagina que seu par possa estar em Londres, já que ela consegue ler alguns pensamentos dele e, assim, "ouvir" seu sotaque, então ela não perde tempo e vai para lá, junto com outra uma integrante do clã, Maya.

"Era estranho sentir meu coração batendo forte por um homem nunca visto, mas as falsas lembranças, ou melhor, as lembranças de uma experiência que eu ainda não tinha vivido eram tão reais, tão intensas que por mais assustadoras, senti que meus instintos não se importavam muito com a parte racional. Eles me fariam procurar por meu desconhecido."

Luisa acaba encontrando o rapaz destinado à ela, o qual a garota descobre ser um cantor, porém qual não é a sua surpresa - e tristeza - ao descobrir que ele não é um transmutado, mas sim um humano comum. Sendo um humano comum, Christian não se sentirá atraído por Luisa, então ela terá que conquistá-lo - algo que não será difícil para ela.

Eu escrevi um pouco sobre o que acontece no começo do livro, mas é claro que terão muitas descobertas e aventuras pela frente, como um reencontro com um ex, batalhas, badpowers - inimigos do clã de Luisa, que é dos goodpowers -, invasores de sonhos e muito mais. É um livro cheio de surpresas que deixam a gente de queixo caído. Eu, particularmente, não sou fã de livros de fantasia, mas esse eu gostei bastante. Já tem o segundo livro da série e eu não vejo a hora de ler.

26/08/2020

[Dica de série] A verdade sobre o caso Harry Quebert

Olá, livreiras e livreiros! Hoje vim trazer a dica de uma série lançada recentemente, que foi inspirada no livro "A verdade sobre o caso Harry Quebert", do autor Joël Dicker, lançado pela editora Intrínseca - que eu ainda não li. Minha irmã foi quem me indicou a série e, ao ver que tinha um mistério policial e o Patrick Dempsey (o eterno dr. Derek Shepherd, de Grey's Anatomy) como protagonista, corri assistir. Vamos conferir o que eu achei?

Título: A verdade sobre o caso Harry Quebert
Lançamento: 2020
Direção: Lynnie Greene e Richard Levine
Gênero: Drama / Policial / Suspense
Duração: 1 temporada







Sinopse: Um corpo é encontrado enterrado na propriedade de Harry Quebert (Patrick Dempsey), e esse reconhecido escritor se vê, inesperadamente, como o principal suspeito do assassinato de uma jovem garota. Enquanto ele se envolve cada vez mais no desenrolar desse caso, que a princípio está relacionado com o desaparecimento de uma adolescente anos atrás, o escritor Marcus Goldman (Ben Schnetzer) vê nesses últimos acontecimentos uma solução para seu bloqueio criativo.

Minha opinião: Nossos protagonistas são Marcus Goldman, um jovem escritor em ascensão, e Harry Quebert, um famoso escritor de best sellers que mora sozinho em uma cidadezinha praiana. Marcus lançou um livro de muito sucesso, mas está com um bloqueio para escrever o próximo volume, o qual já assinou contrato milionário e o prazo de entrega está se esgotando. Então Marcus vai visitar Harry, seu antigo professor da faculdade, para pedir dicas.


Quando Marcus volta para casa, vê na televisão que o corpo de uma garota de quinze anos, desaparecido há mais de trinta anos, foi encontrado enterrado no jardim de Harry Quebert, e que o autor está sendo acusado do assassinato da jovem.


Não acreditando que seu ídolo possa ser um assassino, Marcus volta para fazer sua própria investigação e muitos segredos vão sendo revelados, inclusive um caso amoroso entre a garota e Harry, que já tinha mais de trinta anos na época, só confirmando as suspeitas das autoridades de que o escritor é o assassino. Conforme testemunhas e o próprio Harry contam suas histórias, somos levados aos acontecimentos da época em que a garota ainda estava viva.


Esta é daquelas séries de tirar o fôlego; conforme segredos vão sendo revelados, suspeitos vão surgindo e fica impossível parar de assistir. A série tem apenas dez episódios e eu a assisti na Globo Play.

POSTAGEM POR: VIVIANE

24/08/2020

[Resenha] O menino de papel | Fabiano Carneiro

O menino de papel

Autor(a): Fabiano Carneiro
Editora: CeNE
Páginas: 28
Resenha por: Viviane
Avaliação: 5/5
Compre: Editora

*Livro cedido pela editora para resenha


Sinopse: O Menino de Papel é a história real de um garotinho que não parava quieto. Ele não conseguia achar a tal da concen... concentra... como é mesmo? Ahhh, a concentração! Ele sempre estava muito agitado pra conseguir prestar atenção no que a professora estava falando.

O menino sentia que tinha tantas coisas para ver e aprender, que ficava difícil se con-cen-trar em uma coisa de cada vez. E foi aí que ele conheceu um super-herói que o ensinou a acalmar aquela euforia interna, ficando, assim, mais fácil aprender uma coisa de cada vez.

Este livro nasceu do amor de um professor pelo brincar, pelo correr, pelo viajar na imaginação. O professor Fabiano Carneiro encontrou em seu aluno ferramentas para o crescimento de ambos.

Viaje nessa aventura pelo mundo da imaginação com O Menino de Papel!

Resenha: Nesta encantadora estória vamos conhecer o Menino, um garotinho muito ativo que não conseguia ficar quieto prestando atenção na aula.

"Não conseguia parar quieto no seu cantinho, não conseguia achar a tal concentração que a professora tanto falava."

Mas o Menino tinha um super-herói, o tio, que o ajuda nesses momentos de ansiedade; ele tinha uma técnica tão boa que era capaz de, além de acalmar, ainda fazer o Menino viajar no mundo da imaginação.

Ah, como eu adoro ler estas estorinhas infantis... têm tantas mensagens, tantos aprendizados em tão poucas páginas; acho que o único defeito destes livros é não ter centenas de páginas.

Este livro trata de um tema muito relevante, a hiperatividade infantil, e mostra que com muito amor e paciência é possível tornar essa fase tão difícil em um período prazeroso para a criança.

As ilustrações são lindíssimas e acrescentam muito à obra.

21/08/2020

[Resenha] Sob a minha pele | Day Fernandes

Sob a minha pele

Autor(a): Day Fernandes
Editora: Amazon
Páginas: 32
Resenha por: Viviane
Avaliação: 5/5
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Sinopse: Sou uma completa estranha, desconhecida de mim mesma. Uma mulher comum, vivendo uma vida comum. Ainda assim, desconheço minha própria identidade. Há em meu interior um mundo totalmente obscuro, construído ao longo dos anos por meio de decepções, desilusões, mágoas, temores, ressentimentos, perdas...

Decidi não mais ignorar a estranha dentro de em mim e relato aqui uma jornada, um caminho que trilhei em busca de desvendar a mim mesma.

O que eu sou? Quem eu sou? O que há sob a minha pele?

Resenha: Em "Sob a minha pele", vamos conhecer um breve trecho da vida de Melanie, uma jovem que ainda na adolescência se apaixona e sofre a primeira desilusão amorosa. Algum tempo depois, o pai vem a falecer e parece que o chão se abre sob seus pés. Parece uma história comum a tantos jovens, se não fosse o fato de que, após a morte do pai, Melanie começa a apresentar alguns sintomas, como tremores, suores, medos descabidos, insônia, enfim... uma série de mal-estares que, mesmo após vários exames e consultas a diversos especialistas, não há diagnóstico de doença.

"A morte havia levado a única pessoa que eu acreditava ser forte e corajosa o bastante para nunca deixar algo de ruim me acontecer. E se até mesmo meu pai, meu super-herói, foi levado por ela, o único pensamento em minha mente era que ela viria me buscar também..."

Mas Melanie não se conforma com o resultado dos exames, ela sente dores de cabeça, de estômago, sente o coração acelerar a ponto de achar que vai morrer, e, se você que está lendo esta resenha, já sentiu estes sintomas, assim como eu, deve saber que estou falando de ataques de pânico. Quem já teve um ataque de pânico vai entender perfeitamente, além de se identificar com a protagonista, mas quem tem a sorte de não saber do que estou falando, vai achar que é frescura, desculpas de quem não quer realizar as atividades mais simples, como sair de casa e ir para a escola ou para o trabalho.

"Eu não sabia por que chorava, ou que realmente eu temia. Não sabia de onde havia surgido aquela sensação, nem como fazer para ela ir embora. Sentia tudo e nada ao mesmo tempo."

Foi por isto que Melanie passou: pessoas rindo dela pelas costas, apontando, virando a cara e julgando. Ela mesma foi preconceituosa com a "doença da alma", pois se negou a tomar os remédios na primeira vez que um médico receitou; mas o pânico, a ansiedade e a depressão só tem solução se o próprio paciente quiser se ajudar.

"Não via mais sentido em acordar, nem em comer, me movimentar. Eu era como um ser inanimado, sem vontade de fazer nada. Inútil. O vidro quebrado não podia fazer nada além de machucar a si mesmo e ao outros."

Então eu queria deixar a dica de que este livro de apenas 32 páginas, não é só mais uma leitura para passar o tempo, é de muita utilidade para que pessoas que têm estes sintomas, mas por medo não procuram ajuda; e é MEDO mesmo, aquele que nos impede até de sair da cama muitas vezes, quanto mais ir procurar um médico.

"Eu comecei a ter medo de ter medo."

Fica então meu apelo: observem quem está ao seu lado, as mudanças de humor e de comportamento, e, se puderem, leiam esta pequena estória, que tem tanto a nos acrescentar.